Marlete Oliveira da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) integrou o protesto contra a reforma da previdência/Foto: Karol Braga

A reforma da previdência precariza nossas vidas: privilegiados são os bancos!

Postado em 26/04/2019, 14:23

Com o mote “A reforma da previdência precariza nossas vidas. Privilegiados são os bancos!”, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) realizou ato em Florianópolis na última quarta-feira (24). O ato faz parte de uma ação de solidariedade internacional, relembrando a tragédia de Rana Plaza, há 6 anos. Por todo o mundo, a Marcha Mundial das Mulheres desenvolveu atividades e intervenções de denúncia das grandes corporações e empresas transnacionais que exploram o trabalho e precarizam a vida das mulheres. Aqui no Brasil a pauta foi a reforma da previdência.

Isso porque a reforma da previdência impacta diretamente os direitos das mulheres. Uma das mudanças propostas na reforma da previdência é que a idade mínima para aposentadoria das mulheres suba de 60 para 62 anos para trabalhadoras urbanas e de 55 para 60 anos para trabalhadoras rurais, mantendo a idade mínima de 65 anos para os homens.

Marlete Oliveira, servidora pública federal e integrante da MMM, defende que essa mudança não se justifica, principalmente pela quantidade de trabalho não remunerado que as mulheres realizam hoje, como cuidar dos filhos e da casa. “Além do trabalho agora ser precarizado, de receberem menos, elas trabalham cerca de oito horas a mais por semana sem remuneração”.

A privatização da seguridade social é criticada pelas manifestantes, como Tania Slongo/Foto: Karol Braga

Outro ponto que Marlete salienta, é como essa reforma afeta principalmente mulheres negras e periféricas. “Quanto mais pobre e negra, mais prejudicadas são as mulheres. Principalmente porque são as mulheres que têm trabalhos informais e sem carteira assinada”.

Com a distribuição de panfletos que explicam ponto a ponto quais serão os impactos da reforma, o ato teve como objetivo fazer o “trabalho de formiguinha” na conscientização das mulheres para que lutem pelos seus direitos. “É muito preocupante como tem muita gente que não sabe o que vai perder com essa reforma. Desde a licença saúde e tudo que abrange a previdência social”.

Nem mesmo a chuva impediu as manifestantes de seguirem com o dia de conscientização/Foto: Karol Braga

A data 24 de abril foi escolhida em memória ao massacre de Rana Plaza, em Bangladesh, quando mais de mil trabalhadoras e trabalhadores ficaram feridos ou perderam suas vidas no desabamento do edifício onde trabalhavam em condições desumanas. Desde 2013, a data se tornou um dia simbólico de denúncia a precarização do trabalho e da vida das mulheres.