Neste sábado (18), no âmbito do Julho das Pretas, destacamos a trajetória de mais uma das referências do feminismo negro no Brasil: Nilma Bentes.

Ao relembrar a construção da primeira Marcha das Mulheres Negras, que reuniu mais de 50 mil mulheres em Brasília, em 2015, ela afirmou, em entrevista ao projeto Believe.Women

“A realização da marcha mostrou que a gente venceu o medo. A gente quer mudar, mas não passar de oprimido a opressor. Queremos igualdade, equidade.”

Nascida em Belém do Pará, em 1948, Nilma se graduou em Engenharia Agronômica e atuou na área de projetos rurais no Banco da Amazônia (BASA). Sendo a única engenheira negra do setor, ela descreve o ingresso no mundo corporativo como um ambiente hostil e com frequentes pressões estéticas. 

Essas experiências a fizeram se aproximar mais do movimento negro, inspirada por escritos e conversas com o artista e ativista Abdias Nascimento

Em 1980, Nilma participou da fundação do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), enfrentando o medo e a repressão da ditadura. Ela também é cofundadora da Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira e atuou de forma central na coordenação da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). Sua atuação sempre trouxe a perspectiva indispensável de que a vivência das mulheres negras do Norte e da Amazônia possui especificidades geográficas, sociais e econômicas que precisam ser pautadas no debate nacional.

Foi na coordenação da AMNB que Nilma apresentou, em 2011, a primeira proposta de realizar uma marcha nacional de mulheres negras, já trazendo em sua concepção o conceito de Bem Viver, articulando gênero, raça e luta anticapitalista.

Quatro anos depois, aconteceu a primeira marcha e dez anos depois, em 2025, 300 mil mulheres voltaram a Brasília para marchar por Reparação e Bem Viver. 

Nilma também escreve livros focados na educação popular e no que chama de “beabá da luta antirracista”, produzindo materiais paradidáticos para que a história e as ferramentas de combate ao racismo cheguem de forma simples e direta à população. Entre suas obras publicadas estão “Negritando” (1993) e “Cedenpa: Uma Breve História dos 30” (2010).

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