A Parada reuniu cerca de 4 mil pessoas na Praça Coronel Ernesto Bertaso/Foto: Núcleo Eliane Fistarol de Fotografia

4º parada LGBTQ+ em Chapecó: um mar de cores e resistência

Postado em 18/06/2019, 11:11

 

 

Uma tarde colorida e cheia de amor. Assim foi a 4º parada LGBTQ+ (sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros e Queer) em Chapecó, no último domingo (16). A mobilização regada de amor e muitas cores acontece todo ano desde 2016. Realizada sempre na Praça Coronel Ernesto Bertaso, a principal da cidade, o evento deste ano contou com um público de mais de 4 mil pessoas, conforme Carol Listone, membro da diretoria da UNA-LGBTQ+ de Chapecó.

A 4º parada LGBTQ+ foi movida pelo amor. Amor de mães orgulhosas de suas filhas e filhos participaram de um concurso de camisetas, e amor de casais apaixonados que se declaram publicamente até mesmo com com pedido de casamento. As calçadas da praça ganharam vida. Teve choro, gargalhadas, emoção, luta e resistência. Por meio de performances, algumas Drags Queens se apresentaram para o público. Não era possível olhar para o lado e não ver empatia, respeito e alegria. Foi sobretudo um ato de resistência.

Foto: Ana Laura Baldo/Núcleo Eliane Fistarol de Fotografia

A parada representa uma comunidade que é marginalizada, que sofre todos os dias a opressão, a violência que está presente no meio em que vivemos. Para Fernando Bortoluzzi, estudante universitário, essa manifestação tem um significado grande: a visibilidade da comunidade LGBTQ+. “Eu acho que a parada LGBTQ+ aqui do oeste catarinense é um evento muito importante a ser realizado, pois querendo ou não essa região é conservadora. Eu acho que essas paradas estão aí para mostrar que nós estamos aqui, que nós existimos, para dar visibilidade”, assinalou.

A avenida Getúlio Vargas, principal da cidade foi tomada por algumas horas pelas cores do arco íris. “Estar no meio de pessoas que eu gosto, ver tantas demonstrações de amor e carinho é uma coisa que eu acho que ilumina o coração de todo mundo. Sair nesse meio é simplesmente maravilhoso, principalmente pra mim que fui com o meu namorado. É poder ser quem a gente é, sem medo”, afirma o estudante.

Foto: Ana Laura Baldo/Núcleo Eliane Fistarol de Fotografia

Em tempos difíceis onde até então a homofobia não era crime, o Brasil seguia para um mar de violências sem punições e o aumento diário de mortes de LGBTQ+. “É uma das poucas oportunidades que nós da comunidade LGBT temos de sair na rua, mostrar quem nós somos, nosso verdadeiro estilo, sem sentir medo de sofrer alguma agressão, porque lá estamos todos juntos. Todo mundo apoia todo mundo”, fala Fernando sobre a violência à qual a comunidade LGBTQ+ está exposta.

Foto: Ana Laura Baldo/Núcleo Eliane Fistarol de Fotografia

Com luta, resistência e pedidos de socorro diário, em 13 de junho a comunidade LGBTQ+ teve uma vitória com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar crime a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Para Carol Listone a criminalização da LGBTfobia é um passo para acabar com a violência, mas é preciso ampliar a conscientização para o respeito às formas de ser e amar. “Vivemos no país que mais mata LGBT do mundo, precisamos muito mais que leis em papéis para o fim da violência contra nossa comunidade. A parada vem engrandecendo e ganhando cada vez mais corpo, entrando na agenda nacional e com o principal caráter, o de sempre pautar a luta por dignidade, respeito e vida em uma das cidades mais reacionárias do nosso estado”.

Foto: Ana Laura Baldo/Núcleo Eliane Fistarol de Fotografia

A 4º parada LGBTQ+ de Chapecó foi movida também contra a Reforma da Previdência, contra os desmontes de verbas para universidades públicas e contra a violência de gênero. Não por acaso, “Ninguém solta a mão de ninguém” foi uma das frases mais presentes.

* Ana Laura Baldo é acadêmica de Jornalismo na Unochapecó.