2021-encontro-das-aguas

2021 será o encontro das águas

Postado em 31/12/2020, 16:00

Estamos chegando ao final do ano. É tempo de refletir sobre os tempos sombrios. Acrescento de fazermos uma orAÇÃO, pois o significado dessa palavras é termos atitude, um ato de grandeza para com a outra pessoa.

O país está desgovernado, como um barco à deriva, com o presidente da república em férias; o Covid e a ausência de políticas públicas já mataram mais de 180 mil pessoas em todo o país. Em Santa Catarina, foi decretado toque de recolher a partir das 23 horas. O Estado obriga trabalhadores a ocuparem seu postos desde o início do dia até as 23 horas, horário de descanso – para alguns, pois junto disso ainda fazem vistas grossas para as festas que continuam a acontecer em diversas áreas nobres da cidade.

A ausência de políticas públicas contribui para o aumento dos feminicídios. Foram 648 mortes no país somente no primeiro semestre. Em Santa Catarina, 57 mulheres foram executadas este ano. Nos matam por sermos mulheres.

Nas redes sociais estão os rostos de mãe, filha, amiga, neta… Contudo, a mídia racista nos violenta ainda mais ao dar visibilidade somente a rosto e histórias brancas, quando a estatística aponta que os corpos negros são a maioria.

Diante de tudo isso, entrego as vidas ceifadas a Iansã, DEUSA das tempestades, do raio, a senhora dos mortos, dos eguns. Que acolha em seus braços e conforte amigos e familiares. Coloco também em suas mãos a vida de quem fez mal a essas mulheres.

O ano de 2021 será regido pelos orixás Iemanjá e Oxum, mulheres sensíveis, guerreiras, mães, acolhedoras. Como mães, nos educarão, cobrarão postura de respeito, ética, cuidado consigo e com outras pessoas.

Teremos que responder a elas sobre como estamos tratando a natureza, seus rios, mares, e tudo que neles habita. Nossas mães querem saber como estamos retribuindo o seu amor dado a nós todos os dias.

O amor não tem cor, raça, etnia, classe social, religião. Como estamos amando?

Amar requer atitudes. Uma delas é não aglomerar, usar máscaras, não ir à praia, clube, barzinho e ser antirracista.

Ao pular as sete ondas e usar branco, lembre-se: isso faz parte da religião e cultura afro. Nos respeite também ao longo do ano, esteja nos apoiando para ocupar os espaços de decisão.

Que os nossos corações estejam abertos para serem fecundados para gestar respeito, amor e dignidade às filhas e filhos suas/seus.

Em 2021, te espero nas trincheiras de luta diária!

Com a força e fé em nossas mães.

Odoya, mãe Iemanjá

Ora yê yê ô, mãe Oxum

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Cirene Candido é formada em Gestão Ambiental, técnica em Segurança do Trabalho e militante feminista pelos direitos das mulheres negras. Já atuou como assessora parlamentar, agente comunitária de saúde, empregada doméstica, trabalhadora rural (boia fria), atendente de loja e telefonista. É empreendora empresarial, mãe solo e eventualmente trabalha como diarista.
Veja a coluna da Cirene Candido