Desde a década de 1970, Silvia Federici se destaca como um dos pilares da crítica feminista ao capitalismo. Se naquela época ela já denunciava a exploração invisível no lar, hoje sua análise se atualiza para um cenário de exaustão profunda, exposta pela sobrecarga das mulheres. Destacamos uma de suas reflexões feitas à Editora Elefante:

“Não se pode fazer uma política forte de assistência sem lutar para reduzir o tempo de trabalho assalariado.”

Para a filósofa, o feminismo não deve ser encarado como um movimento setorial ou uma pauta restrita à melhoria pontual das condições de vida das mulheres, mas sim como uma reimaginação completa da produção e da reprodução social. Em sua visão, o modelo atual prioriza a fabricação de mercadorias que adoecem e matam, enquanto negligencia o cuidado com a saúde e com os mais vulneráveis. 

As críticas de Federici dialogam com movimentos contemporâneos que questionam o modo de produção vigente, como a mobilização pelo fim da escala 6×1 no Brasil. 

O argumento principal é que essa jornada é física e mentalmente exaustiva, impedindo o trabalhador de ter uma vida para além da produção de lucro. Quando o mercado consome quase a totalidade das horas da semana, o único dia de folga torna-se, na verdade, um dia de trabalho doméstico intensivo, especialmente para as mulheres.

Para Federici, enfrentar essa realidade requer uma redistribuição radical da riqueza. Ela aponta que a violência contra a mulher, a exploração do tempo no trabalho e a política extrativista que privatiza terras e recursos são faces da mesma moeda neoliberal, exigindo uma resistência unificada que recupere o controle sobre a vida e o tempo. 

Nesse sentido, o feminismo deve atuar junto a outros movimentos sociais, fortalecendo lutas coletivas.

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