Você já ouviu a palavra do feminismo hoje? ✊🏿💜

Neste sábado, destacamos uma reflexão da cantora, antropóloga e feminista dominicana Ochy Curiel em entrevista à Revista Tempo e Argumento da UDESC:

“Quem nasceu e se criou na América Latina e no Caribe, se quer um projeto de libertação real, tem que ser decolonial.”

Ochy Curiel nasceu na República Dominicana, onde se formou em Serviço Social e iniciou sua atuação no movimento de mulheres. Foi uma das fundadoras da Casa pela Identidade das Mulheres Afros, iniciativa que teve papel central na articulação do movimento de mulheres negras na América Latina e no Caribe. Esse processo culminou, em 1992, na realização do 1º Encontro de Mulheres Negras da região.

Segundo a antropóloga, o feminismo decolonial se baseia na compreensão dos impactos da colonização em nossas vidas, que historicamente hierarquizou povos por raça, classe, gênero e sexualidade. Para ela, a música sempre funcionou como uma ponte para discutir essas questões, oferecendo uma leitura crítica das estruturas de poder herdadas do colonialismo e das desigualdades históricas da região.

Um exemplo contemporâneo é o cantor porto-riquenho Bad Bunny. Em 2026, ele se consolidou como um dos maiores nomes globais da música latina ao fazer história no Grammy. Seu álbum Debí Tirar Más Fotos (DtMf), profundamente enraizado na valorização de sua terra natal, venceu nas categorias de Melhor Álbum de Música Urbana e Álbum do Ano.

Defensor declarado da independência de Porto Rico, que ainda vive sob um status colonial em relação aos Estados Unidos, o artista se destaca também por ações políticas, como a decisão de não incluir o país norte-americano em sua turnê.

A única exceção será sua apresentação no show do intervalo do Super Bowl LX, amanhã (8) , marcada como a primeira performance totalmente em espanhol da história do evento. 

Seu  posicionamento dialoga diretamente com o que Ochy Curiel define como uma postura decolonial: a possibilidade concreta de mudar o curso das nossas histórias e das desigualdades herdadas do colonialismo. Trata-se de disputar sentidos e mostrar que as estruturas coloniais podem e devem ser transformadas.

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