A campanha colaborativa para financiar os custos do estaço segue até 7 de setembro/Foto: Hanna Halm

“Motim”, casa cultural gerida por mulheres, em campanha para reabrir suas portas

Postado em 25/07/2018, 17:01

Espaço do underground carioca feito por mulheres, a Motim funcionou durante um ano levando projetos contestadores ao centro do Rio. Reunindo artistas e produtoras, a casa recebeu oficinas, cursos livres, rodas de conversa, trabalhos manuais, festivais de música, ensaios de bandas, gravações, exposições e mais. A gestão fica a cargo de um coletivo, formado por Letícia Lopes (Trash No Star), Larissa Conforto (Ventre), Bel Baroni (BEL, Mohandas), entre outras, com o objetivo de oferecer cultura no Rio em um espaço que vai além da Zona Sul.

Agora, é hora de recomeçar em uma nova sede, e para isso a casa conta com apoiadoras em sua campanha colaborativa, na plataforma Vakinha até 7 de setembro, destinada a custear os contratos com a imobiliária, os requisitos de segurança e itens básicos para manter um ambiente saudável e seguro para todos os frequentadores.  A meta é alcançar R$4.100, até agora foram arrecadados 20% do total.

Tudo começou em agosto de 2016, logo depois de uma onda de denúncias feitas por mulheres contra produtores, artistas e administradores de espaços culturais no Rio. Duas amigas alugaram uma sala no centro da cidade para hospedar projetos feministas independentes e construir um espaço seguro para artistas e produtoras.

De lá pra cá, a casa abrigou uma programação constante de oficinas, cursos livres, rodas de conversa, trabalhos manuais, festivais de música, ensaios de bandas, gravações, exposições e todo tipo intervenção artística que se propusesse a ocupá-la, até abril deste ano, quando encerrou as atividades por tempo indeterminado. Já em novo endereço, a Motim lança campanha de financiamento para reabrir as portas com administração coletiva.

Colabore com a Vakinha

“A MOTIM nasceu da necessidade de tocar nossos projetos de forma segura e autônoma, decidimos que iríamos arregaçar as mangas e botar a cara no Sol. Inicialmente éramos eu e Amanda Flores (vocalista da banda Ostra Brains), mas sempre contamos com uma grande rede de afeto de manas que chegavam para ajudar de todas as formas”, conta Letícia Lopes, vocalista e guitarrista da banda Trash No Star.

Moradora da Baixada, ela vê a ocupação do centro da cidade como uma saída para descentralizar o eixo cultural estruturado na Zona Sul. O novo endereço permanece no centro, próximo ao metrô Uruguaiana, e conta com uma estrutura mais adequada para eventos, além de mais espaço para abrigar a todos os projetos.

Novo endereço permanece no centro, próximo ao metrô Uruguaiana/Foto: Marcela Valente

“Quando se tem uma curadoria feita por mulheres com diferentes vivências e espaços de fala, automaticamente já estamos transformando a maneira de fazer cultura na cidade. A Motim representa mais do que resistência num cenário de escassez, representa construção de um caminho paralelo, mesmo. A ideia é poder desenvolver um novo fazer artístico, em que seja possível ressignificar as velhas ferramentas, as mesmas que excluem e discriminam desde sempre, respeitando a pluralidade e a diversidade de fala. Pra mim essa é uma sementinha que foi plantada em 2016 e agora começa a brotar. Um novo começo”, reflete Larissa Conforto, artista carioca e colaboradora da casa.

Com espírito do it yourself (faça você mesma) e propondo uma disruptura através da união, a coletiva formada por Bel Baroni, Hanna Halm, Helena Assanti, Larissa Conforto, Leticia Lopes, Marcelle Helt, Nathanne Rodrigues, Vitoria Parente, Fefê Alves e Yuri Santos acredita na ação compartilhada e entende a iniciativa como um espaço aberto a ser ocupado com ideias e projetos transformadores, prioritariamente feministas e interseccionais que construam respeito, igualdade de direitos e oportunidades, convivência e troca de experiências, e transformação local de produção cultural crítica com foco no trabalho por/para/com mulheres.

A campanha tem cota mínima de R$ 25. Para as apoiadoras será oferecido um mês de entrada nos eventos da casa, além de um passaporte válido por dois meses para participação em oficinas ministradas pelas administradoras. O nome das apoiadoras será impresso em um poster especial de reabertura.

 




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