Coletivo arrecadou 42% da meta para a publicação do livro sobre mulheres que marcaram a história/Foto: divulgação

Últimos dias para apoiar a campanha de financiamento coletivo Mulheres Cabulosas da História

Postado em 22/11/2017, 22:33

Algumas foram ícones de seu tempo e continuam a inspirar gerações, outras mesmo fundamentais para a história do Brasil e do mundo não tiveram seu merecido destaque. Anne Frank, Elis Regina, Frida Khalo, Pagu, Maria Bonita, Nina Simone, Valentina Tereskowa – a primeira mulher a viajar no espaço – e Margaret Hamilton – que programou a missão tripulada à Lua – são algumas das personalidades que serão interpretadas no projeto “Mulheres Cabulosas da História”.

Idealizado por integrantes do movimento social Levante Popular da Juventude, o projeto de releituras fotográficas resgata o feminismo por meio da história de grandes personagens. O resultado será a produção de um livro a partir de um ensaio fotográfico de mulheres que lembram as 100 personalidades escolhidas e de pesquisa biográfica aprofundada de cada uma delas.

“Cabulosa significa algo grandioso, enorme. Trata-se de uma gíria popular que quer dizer algo extraordinário, incrível”, explica a fotógrafa Isis Medeiros, uma das idealizadoras.

A campanha de financiamento coletivo da publicação está na plataforma Catarse e alcançou 42% da meta de R$ 70 mil. Resta apenas quatro dias para chegar ao fim.  Quem deseja contribuir deve entrar no site e escolher as recompensas, que vão desde postais, camisetas, bolsas, cadernos, até ilustrações e pôsteres. Para garantir a recompensa do livro o valor é R$70 e a previsão é de que ele esteja pronto no primeiro semestre de 2018. O financiamento garante também a doação de parte dos livros para bibliotecas, escolas e centros culturais.

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Desde agosto deste ano, a campanha envolveu ações de divulgação, tanto de biografias das mulheres retratadas quanto de vídeos de apoiadoras do projeto, como as cantoras Elza Soares, Ana Canãs e a presidenta deposta Dilma Rousseff. Também ocorreram exposições de fotografias que vão compor o livro em várias universidades em Minas Gerais e por todo o país. Recentemente, a exposição circulou na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e recepcionou a militante ex-pantera negra Ângela Davis, além de fazer parte da programação do Festival da Reforma Agrária em Belo Horizonte e do Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Rio de Janeiro.

Maria Bonita, Frida Kahlo e Vilma Spin/Foto: Isis Medeiros

100 dias de ocupação contra o retrocesso
“Nunca se esqueça de que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”. A frase de autoria da “cabulosa” retratada no livro, a filósofa francesa Simone de Beauvoir, apesar de ter sido escrita em outro período histórico nunca foi tão atual, como argumenta Isis Medeiros.

Cabulosas Mercedes Sosa, Dandara e Simone de Beauvoir/Foto: Isis Medeiros

Segundo a fotógrafa, o projeto se tornou um mecanismo para a disputa contra narrativas conservadoras que tem surgido nos últimos tempos. Constitui-se como uma forma didática de falar sobre feminismo popular através da história das mulheres retratadas. Para denunciar o golpe que retirou uma mulher do poder no Brasil, o projeto promoveu 100 dias de ocupação. “Estamos passando por um momento de perda de direitos, principalmente das mulheres, das pessoas negras, da população LGBTQ+ e da classe trabalhadora. Recentemente 18 homens votaram a PEC 181, um projeto de lei que nos ataca mais uma vez, na tentativa de responsabilizar as mulheres pelos filhos de estupro. Não podemos aceitar mais esse abuso do legislativo sobre nós! A vida das mulheres retratadas tem dado muita força para que todas nós possamos lutar por uma sociedade mais justa para todos”, defende a idealizadora.

Assista ao vídeo da cabulosa Elza Soares. 

Acesse a campanha na plataforma Catarse. 

 

 

 

 




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