Coluna da Chris Mayer

Desenhando Tassaert: sobre a censura às obras de arte nos museus e redes sociais

Postado em 14/09/2017, 15:13

Olá a todas e todos, tinha planejado uma coisa completamente diferente para minha primeira coluna, mas este assunto me tomou por inteira: a censura das obras de arte por conta do erotismo, da suposta heresia, da zoofilia e da suposta pedofilia.

A arte deve ser livre, deve ser o que ela quiser: provocativa, fútil, instigante, simplesmente bonita, questionadora, ou não.

A CONTA BLOQUEADA no facebook da nossa colega e amiga Paula Guimarães foi a gota d’água. O motivo? Postar uma pintura de François Octave Tassaert, pintor do século XIX, reconhecido por Gauguin e Van Gogh como um de seus mestres.

Nascido numa família de gerações de artistas, pintava mulheres, pintava pobres, famílias em desespero e… Pintava cenas eróticas – educativas, inclusive.

Sim, peoples, eu usei as tarjinhas nas obras do Tassaert. Para observá-las sem tarjinha, só no Museu do Louvre, ou no Museu Fabre, de Montpellier. Quem sabe um pulinho no Canadá – Montreal Museum of Fine Arts, ou ainda na Austrália – National Gallery of Australia.  Prefere os EUA no Cleveland Museum of Art?

 

Olha só, não sou a mais fã do face. Uso como uma das minhas fontes de informação, uso como contato com outros artistas e ativistas, e uso para expor meu trabalho como fotógrafa. Se for pra bloquear um instrumento de trabalho, por conta de uma pintura do século XIX (não tem como não rir, desculpa aí, Paulinha), teriam que bloquear TODAS AS CONTAS que postaram essa mesma obra. São centenas… dei uma pesquisada muito rápida e encontrei uma lista enorme. Precisam de ajuda pra censurar essa galera no mundo inteiro? É só falar comigo…

Sabemos perfeitamente que o fechamento da exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” motivou as denúncias mais recentes nas redes. Sabemos perfeitamente que o ativismo da Paula incomoda as mesmas pessoas. Pessoas covardes, que denunciam sem aparecer.

Mas tá dado o recado, caladas não ficaremos.

 




Chris Mayer é fotógrafa, jornalista, escritora e palhaça. Dedica-se à fotografia de palco, dramaturgia cômica, crônicas, retratos, fusões. Busca a conexão imagens, textos e palco. Tinha um laboratório P&B na área de serviço. Lecionou fotografia nas faculdades de jornalismo, publicidade, artes visuais e arquitetura. Fotografou dissertações e editou um livro de fotopoemas.
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