Neste sábado, no contexto do Julho das Pretas, destacamos a trajetória de Naiara Leite, jornalista, mestre em comunicação e coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra:

“Reparação e Bem Viver expressam um projeto político tecido a partir das experiências, memórias, resistências e saberes das mulheres negras.”

Para o movimento de mulheres negras, a reparação busca enfrentar as desigualdades históricas produzidas pelo racismo, enquanto o Bem Viver propõe uma sociedade baseada na dignidade, no cuidado coletivo, na justiça social e na valorização da vida.

Naiara é natural de Salvador, no bairro Tubarão, comunidade negra e pesqueira à beira-mar. Foi durante a graduação em jornalismo, numa disciplina com uma professora negra ativista, que teve seu primeiro contato com o Movimento de Mulheres Negras, encontro que a fez, segundo ela relata, se reconhecer pela primeira vez como uma mulher negra. Foi nesse mesmo processo que afirmou também sua sexualidade como mulher lésbica, em uma transformação que impactou toda a família, que passou a compreender melhor a negritude.

Antes de assumir a coordenação executiva do Odara, Naiara passou por diversas frentes de comunicação e ativismo: foi educomunicadora na Cipó Comunicação Interativa, jornalista no Fórum Permanente pela Igualdade Racial e coordenadora de oficinas de inclusão digital na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, além de coordenadora executiva e editora de conteúdo da Revista Afirmativa. 

Sua chegada ao instituto aconteceu por convite de Valdecir Nascimento, idealizadora da organização, que acompanhou sua formação no movimento negro e a chamou para coordenar o programa de comunicação. Foi ali, escrevendo sua primeira matéria sobre direitos humanos, que Naiara foi inspirada a conversar cada vez mais com seus familiares, principalmente a avó, sobre a história da família.

Fundado em 2010 em Salvador, o Odara é uma organização negra feminista centrada no legado africano, dedicada ao fortalecimento da autonomia das mulheres negras e ao enfrentamento do racismo, sexismo e LBTfobia. O instituto atua em rede com outras organizações do país, especialmente do Nordeste, e da América Latina, e ajuda a manter viva iniciativas como o Julho das Pretas, que conta com atividades em diversos estados. 

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