O Dia do Empreendedorismo Feminino, celebrado em 19 de novembro, me fez lembrar de alguns estudos globais que mostram como o envolvimento no esporte desde cedo impulsiona mulheres a construírem seus próprios negócios. Confiança, disciplina e o foco em conquistar resultados de forma consistente são alguns dos atributos que as atletas levam consigo no pós-carreira e as ajudam a ter sucesso nos mais diversos ambientes.

Segundo o Sebrae, o Brasil já soma mais de 10 milhões de mulheres empreendedoras. Algumas por escolha, outras por necessidade. Em ambos os casos, saber navegar pelos inúmeros desafios sem perder o foco no objetivo principal é fundamental. E quer exemplo melhor de alguém lidando com a pressão do que uma jogadora que precisa, por exemplo, reverter um placar faltando poucos minutos para o final do jogo? É como se elas passassem toda a vida de atleta treinando para serem excelentes lideranças empresariais.

Assim como no esporte, outro fator que faz muita diferença no empreendedorismo não é apenas o mérito, mas a oportunidade. “Todo atleta tem um ‘quê’ de empreendedor”, afirma a ex-atleta olímpica e fundadora dos empreendimentos Me Empodera e Firmeza Token, Aline Silva. “No esporte, muito se fala sobre mérito e pouco sobre oportunidade. Mas a verdade é que resultados de alto rendimento dependem de investimento, estrutura e acesso’’, analisa.

“Empreender não é muito diferente, ter oportunidades que vão desde alguém para auxiliar até um investimento, fazem muita diferença para alcançar a estabilidade’’, completa.

E foi com a ideia de gerar oportunidades que Aline criou a Me Empodera, uma organização social que nasceu para ampliar acesso, fortalecer autoestima e colocar meninas em lugares onde são historicamente excluídas. O objetivo é mostrar que elas podem ocupar espaços de liderança. Algo ainda urgente no Brasil, onde mulheres representam a maioria da população, mas ocupam apenas 39% dos cargos de liderança, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

No esporte, essa desigualdade é ainda maior. De acordo com a ONU Mulheres, só 13% das posições de comando são ocupadas por mulheres.

Inovação com impacto: um olhar para além do resultado financeiro

Setores de alta inovação, como finanças e tecnologia, ainda apresentam barreiras estruturais notáveis para mulheres. No Brasil, ainda representamos apenas cerca de 15% do mercado de criptoativos, segundo a Receita Federal, e, globalmente, startups de blockchains lideradas por mulheres recebem só 6% do capital de risco. 

É neste cenário que a ex-atleta olímpica se posiciona com seu segundo empreendimento, a Firmeza Token, uma iniciativa no mercado imobiliário que utiliza a tecnologia blockchain. A decisão de empreender nessa área é mais uma vez um reflexo da busca por oportunidades conectadas a um propósito social: proporcionar segurança financeira e ativos inovadores para atletas no seu pós-carreira.

A verdade é que o sucesso de uma atleta dentro de campo já representa, por si só, uma vitória social. Quanto mais espaço ganhamos dentro do esporte, maior a inspiração e a representatividade para as próximas gerações. É automático.

Quando uma jogadora se dá conta, ela já é responsável por transformações que vão muito além da sua própria carreira. Gerar impacto social é inerente a essa profissão, e não por acaso muitas carregam esse propósito para suas jornadas fora das quadras. 

O Dia do Empreendedorismo Feminino é um momento para celebrar conquistas e ressaltar nossas potências, mas também para reconhecer que o avanço exige mais do que determinação individual. A trajetória de mulheres como Aline Silva reforça a mensagem de que, para transformar o cenário, a resiliência precisa andar de mãos dadas com a criação intencional de oportunidades. 

Diante de um “mundo que não é justo”, a estratégia deve ser pragmática, por meio da preparação e do fortalecimento da comunidade:

“No menor sinal de vantagem ao meu favor, eu me cerco dos meus, de pessoas que vão fazer o mesmo corre que eu, que vão me fortalecer na minha batalha”, diz Aline. 

O sucesso das mulheres que transformam o Brasil, sejam elas ex-atletas ou não, exige o espírito de equipe e a vontade obcecada por vencer que o esporte ensina como ninguém. Derrubar barreiras estruturais, investir em lideranças femininas e apoiar umas às outras nos levará a conquistar os troféus que mais merecemos e precisamos.

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  • Júlia-Vergueiro

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