Canto é o segundo poema da série Poéticas da Convivência pelas mulheres poetas do Abrasabarca/Foto: arquivo pessoal da autora

Coluna da Abrasabarca

Série Poéticas da Convivência: o canto 

Postado em 28/04/2020, 14:20

A sereia, pulmão anfíbio
dupla vida
condenada a errar
de tanto ar
pelo atol das almas

Imensa no saara de sua
solidão sem rastros
água
água
seca nos pulmões
em ambos o deserto

Respira profundo que
ainda falta muito
Mulher peixe restará
convivas de
Leviatã, que toda vida
devora
Devir anfíbio

Na urna diminuta
o saara é todo amores
rua deserta
Não há ressurreição

Canto porque ainda não
sou cinzas
Hei de ser aquela de estrelas

* Texto de Ibriela Sevilla. 




ABRASABARCA se dedica à pesquisa, descoberta e (re)invenção poética. Somos um coletivo que se formou em encontros para ler poemas e falar de literatura em torno da mesa, da fogueira, do vinho, dos livros. A brincadeira de ler em conjunto o texto de outras e outros nos trouxe o desafio e o prazer da escrita autoral. Formado por Ariele Louise, Ana Araújo, Elisa Tonon, Ibriela Sevilla, Juliana Ben, Juliana Pereira e Luciana Tiscoski, realizou as publicações Abrasabarca (Medusa, 2018) e Revoluta (Caiaponte, 2019). Principais performances: Durar ou arder? (Quinta Maldita, 2018), Uma mulher o que é? (Sarau da Tainha, 2019), Como olhas? (FestiPoa Literária, 2019), Revoluta (Bienal Internacional de Curitiba/ Polo SC, 2019).
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