Marlina Oliveira, Josefina Silva Boscia, Cirene Candido e Taty Américo durante a posse da Diretoria Municipal do PT de Joaçaba/Foto: divulgação

Coluna da Cirene Candido

Coletivo Negras PTistas busca incluir mulheres negras na liderança do partido

Postado em 13/12/2019, 17:52

Negras PTistas, o primeiro coletivo de mulheres negras do partido no Brasil, dá seus passos, rumo às eleições municipais de 2020. Uma das integrantes, Josefina Silva Boscia, tomou posse na presidência da Diretoria Municipal do PT de Joaçaba, em 7 de dezembro, em Herval do Oeste, Meio-Oeste de Santa Catarina. Negras PTistas é integrado por profissionais de várias áreas e regiões do estado para pautar as instâncias do partido, buscando o cumprimento estatutário e fortalecendo a luta pela inserção das mulheres negras nos espaços de liderança. Entre outras autoridades, o acontecimento foi prestigiado pelo presidente do Partido dos Trabalhadores de SC, Décio Lima.

O evento ocorreu na comunidade onde Josefina tem grandes amigos, conquistados ao longo da caminhada. A petista negra está no meio do povo, lugar de onde nunca saímos, por que dele somos parte. Em um momento social, cuja importância de ocupar espaços políticos se faz necessário e urgente, a posse de mulher é um passo à frente diante do machismo e racismo.

As negras petistas, Cirene e Josefina, no momento da posse/Foto: divulgação

Josefina Silva Boscia é professora recém-aposentada, especializada em Supervisão Escolar, graduada em Pedagogia Plena e mestranda em Educação. É diretora executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT) estadual, atua no trabalho de base junto às pastorais da Igreja Católica. Integra a secretaria executiva do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado de SC). É casada, tem quatro filhos e quatro netos.

Como única presidenta municipal negra em Santa Catarina, estado com a menor proporção de negras e negros do país, Josefina se torna nossa representante, nossa força contra o racismo que não nos permite ocupar espaços de poder, mesmo que tenhamos ao longo dos anos lutado dentro do processo democrático partidário.

Isso é também uma demonstração da vontade de resistir, de falar das nossas dores, diante de vários tipos de violências sofridas, de chorarmos diante de corpos negros executados pelo polícia que sempre teve o poder de matar. Nossa pergunta merece ser respondida: por que a bala perdida sempre encontra corpos negros na mira?

Sem negras e negros no palanque, a esquerda não vencerá. Precisamos dessa representatividade para que sejamos ouvidas e vistas, por uma sociedade que apenas olha para mais um corpo estendido no chão, mas não enxerga as violências que sustentam o cotidiano de racismo no país. Enfim, é tempo de termos a grandeza nos gestos, de sentarmos lado a lado com a branquitude, para o diálogo, mas também para o tensionamento, buscando a compreensão para a prática do antirracismo.

Estamos começando a romper com o lugar que nos foi imposto, para estar nos lugares que de fato nos possibilitem juntas construirmos nosso “bem viver”.

*Cirene Candido é formada em Gestão Ambiental, ex-assessora parlamentar, militante feminista pelos direitos das mulheres negras. Integrante do coletivo Negras PTistas.




Cirene Candido é formada em Gestão Ambiental, técnica em Segurança do Trabalho e militante feminista pelos direitos das mulheres negras. Já atuou como assessora parlamentar, agente comunitária de saúde, empregada doméstica, trabalhadora rural (boia fria), atendente de loja e telefonista. É empreendora empresarial, mãe solo e eventualmente trabalha como diarista.
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