Imagem: Laura Elizia Haubert

Coluna da Laura Elizia Haubert

Chicas que escrevem: Yasmin Nigri

Postado em 11/07/2020, 10:29

A chica que escreve da semana é a Yasmin Nigri. Yasmin é poeta, artista visual, e ensaísta além de doutoranda em Filosofia na PUC-Rio. Além disso é co-fundadora e integrante do coletivo de artes Disk Musa e colaboradora de Revista Caliban. Vamos à entrevista! 😊

Poderia nos contar um pouco de sua trajetória como poeta? Por que começar a escrever? E mais, por que continuar escrevendo?
O meu interesse pela poesia veio tarde e ocorreu por intermédio da minha linha de pesquisa, a filosofia da arte. Eu já estava no mestrado quando me autorizei a praticar o exercício da escrita poética e tive uma recepção muito boa por parte dos meus pares. Continuar é uma necessidade, eu dediquei a minha vida a ler e escrever, foi o que aprendi a fazer melhor.

Além disso, poderia nos contar um pouco sobre suas influências literárias. Quais nomes da literatura te marcaram? Qual foi sua última leitura?
O último romance que eu li foi Humilhados e Ofendidos porque amo Dostoiévski, comecei na quarentena e levei a semana lendo. A literatura russa da segunda metade do século XIX exerceu uma influência muito forte sobre mim, assim como filósofos da antiguidade clássica, especialmente Platão e Aristóteles, assim como o neomarxismo da Escola de Frankfurt, principalmente o pensamento do Adorno, autor que eu pesquiso desde a graduação.

Seu livro Bigornas foi publicado pela Editora 34. Poderia nos contar um pouco sobre o processo de escrita? Como foi trabalhar nesses poemas? Como escolher qual entrava no livro?
Foi uma experiência muito intensa e mudou radicalmente a minha vida. Eu escrevia e enviava o meu material para diversas revistas digitais, para a minha surpresa quase todas publicaram integralmente os meus escritos e o que começou despretensiosamente acabou ganhando uma dimensão inesperada. A demanda por um livro surgiu primeiro por parte de editoras independentes, mas eu ainda estava descobrindo a minha voz e adiei o livro propositalmente. Dois anos consecutivos publicando meus poemas na internet e elaborando um livro e finalmente conheci o Cide Piquet, editor da 34, que me auxiliou a terminar o projeto que já estava em andamento. O Bigornas teve dois revisores, o próprio Cide e o Fabrício Corsaletti, as revisões iam e voltavam inúmeras vezes, eles opinavam sobre quais poemas deveriam sair e eu tinha a palavra final. O Bigornas conta com exatos setenta poemas, o que ainda é muito, especialmente pra um livro de estreia.

Você é co-fundadora da coletiva de artes e poesia Disk Musa. Poderia falar um pouco desse projeto?
Não estamos mais produzindo regularmente, mas fizemos inúmeros trabalhos juntas e montamos um portfólio incrível, além de uma amizade muito fértil e criativa. Eu sinto muita saudade desses encontros, toda semana a gente se reunia e era tão revigorante e divertido, tudo valeu a pena. A Disk Musa teve a participação da Carolina Turboli, Liv Lagerblad, Gabriela da Fonseca, Anna Terra, Simone Vieira, Valeska Torres e Flora Mangini. O coletivo mantém a página no Facebook e também uma conta no SoundCloud, onde disponibilizamos um EP de poesia que fizemos juntas.

Você é mestre em Filosofia e agora doutoranda em Filosofia. Como vê a relação entre a filosofia e sua poesia?
A relação é tão importante que a minha escrita acadêmica foi aos poucos sendo contaminada por imagens poéticas resultando em textos acadêmicos menos engessados e mais livres.

Como foi sua experiência de publicação?
Foi surpreendente. Mesmo sendo um livro de estreia, o Bigornas foi finalista do Prêmio Rio de Literatura e me abriu muitas portas. Com o reconhecimento do meu trabalho passei a escrever mais resenhas críticas e dar mais cursos e oficinas de escrita criativa.

Por fim, há algo que você gostaria de dizer para outras mulheres que escrevem? Ou, alguma mensagem final?
Não desistam, a prática é fundamental. Por se tratar de um fazer solitário é importante encontrar diálogo e seguir em frente contando com o apoio de outras mulheres.

Além dessa entrevista deliciosa a Yasmin fez a gentileza de enviar as seguintes dicas:

Uma série: Fleabag e Marvelous Mrs. Meisel

Gostaria de agradecer imensamente a Yasmin Nigri por ter aceitado por ter aceitado meu convite para participar e disponibilizar seu tempo para esse bate-papo online. Por hoje é só, por favor, lembre-se, leiam mais e le




Laura Elizia Haubert é doutoranda em Filosofia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Graduada e Mestre em Filosofia pela PUC-SP. Autora do livro “Memórias de uma vida pequena” publicado pela Quintal Edições em 2019, e “Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul” publicado pela Patuá Editora em 2017. Já teve contos publicados na Revista Ponto do SESI-SP, na Revista Gueto e na Revista Subversa. Além de participações em antologias como "As coisas que as mulheres escrevem" da editora Desdêmona publicado em 2019.
Veja a coluna da Laura Elizia Haubert