Clarissa Wolff é a terceira entrevistada da coluna Chicas que Escrevem/Imagem: Laura Elizia Haubert

Coluna da Laura Elizia Haubert

Chicas que escrevem: Clarissa Wolff

Postado em 22/05/2020, 14:42

A chica da semana é Clarissa Wolff, escritora que trabalha com produção de conteúdo e comunicação. Mantém uma coluna sobre literatura no Carta Capital e já escreveu para diversos sites como Uol, Cult, Folha de S. Paulo e Rolling Stones.

O livro da Clarrisa “Todo mundo merece morrer” foi publicado em 2018 pela Editora Verus. Além da capa linda, a sinopse já deixa o leitor com um gostinho de quero mais. Olha só, uma história de assassinato no metrô de São Paulo, treze vidas cruzadas e a verdade é que ninguém é o que parece. Já deu vontade de ler, né?

Vamos a entrevista 😊

Poderia nos contar um pouco de sua trajetória como escritora? Por que começar a escrever? E mais, por que continuar escrevendo?
Comecei a escrever muito novinha. Tem uma anedota de família que minha mãe conta: eu aprendi a ler relativamente cedo, com 5 anos, mas antes disso eu já tinha “escrito” um poema e, por não saber escrever literalmente, ditei para a minha mãe. Não sei de onde surgiu essa urgência pela escrita, mas ela sempre me acompanhou. Por isso é difícil falar um motivo concreto. O único motivo real é: escrevo porque preciso.

Além disso, poderia nos contar um pouco sobre suas influências literárias. Quais nomes da literatura te marcaram? Qual foi sua última leitura?
Acho que os principais nomes da literatura que me marcaram foram Sylvia Plath, Zadie Smith, David Foster Wallace e J.K.Rowling (eu não seria nada sem Harry Potter!). Minhas últimas leituras estão bem focadas na pesquisa do meu novo projeto, então vou falar as leituras de que mais gostei em 2019: “Pessoas normais” da Sally Rooney e “Meu ano de descanso e relaxamento” da Ottessa Moshfegh.

Seu livro “Todo mundo merece morrer” é um thriller psicológico que arrebata o leitor. Poderia nos contar a inspiração para escrever e como foi o processo?
Poxa, obrigada! Então, em 2014 meu ex-marido foi me buscar a pé na estação do metrô depois da minha aula de francês. Ele me falou que ficou imaginando que teria acontecido algum atentado e que ele ficou pensando o que faria nessa situação. Nas semanas seguintes fiquei pensando muito sobre isso, a estrutura começou a se formar e os personagens começaram a vir.

Meu processo de escrita sempre começa pelos personagens. O enredo é quase secundário. Eu gosto de imaginar a escrita como montar um quebra-cabeça cujas peças vou descobrindo (ou recebendo do universo?) conforme o projeto avança.

Não gosto tanto dessa visão endeusada de quem escreve. Percebo menos como criador e mais como canalizador. Faz sentido?

Além do livro você já escreveu para vários meios de comunicação. Como vê a relação entre sua literatura e a escrita enquanto jornalista? Há uma influência ou relação?
A escrita de ficção surgiu antes, e eu percebo que esses dois tipos de escrita se relacionam ao mesmo tempo que se diferenciam. Mas ainda é escrever, ainda exerce uma função de suprir uma necessidade interna muito grande. É difícil às vezes esse exercício de tentar classificar ou explicar processos que nasceram e vivem de forma muito mais empírica… Por exemplo, às vezes surge algum tema, alguma questão sobre a qual tenho o impulso de falar, e é automático, natural entender em que tipo de escrita isso se encaixa. É raro precisar pensar em como vou levar adiante determinada ideia, é como se o formato nascesse junto, sabe? Mas já aconteceu de eu tentar elaborar um tema como ensaio e perceber que precisava ir pra ficção.

Como foi sua experiência de publicação?
Acho que a minha trajetória foi um pouco curiosa. Eu encontrei o e-mail de uma das mulheres (incríveis) da Verus e fui super cara-de-pau me apresentar e falar do projeto. E foi isso!

Por fim, há algo que você gostaria de dizer para outras mulheres que escrevem? Ou, alguma mensagem final?
Eu recebo mensagens de pessoas pedindo que eu leia textos ou comente ideias. Eu diria que 9 entre 10 dessas mensagens são de homens. Então se eu fosse deixar alguma mensagem pra mulheres que escrevem seria: sejam cara-de-pau. Encontrem escritoras, editoras, jornalistas de quem vocês gostem e mandem e-mail. Vai rolar muito não, mas os poucos sim vão fazer valer a pena.

Além dessa entrevista deliciosa a Clarissa deixou algumas indicações. Para ler, “Ritmo louco” de Zadie Smith. Já no campo das séries a indicada foi “Atlanta” enquanto o filme da vez é “Booksmart”.

Gostaria de agradecer imensamente à Clarissa Wolff por ter aceitado meu convite (feito com cara-de-pau) para participar e disponibilizar seu tempo para esse bate-papo online. Por hoje é só, por favor, lembre-se, leiam mais e leiam mulheres!




Laura Elizia Haubert é doutoranda em Filosofia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Graduada e Mestre em Filosofia pela PUC-SP. Autora do livro “Memórias de uma vida pequena” publicado pela Quintal Edições em 2019, e “Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul” publicado pela Patuá Editora em 2017. Já teve contos publicados na Revista Ponto do SESI-SP, na Revista Gueto e na Revista Subversa. Além de participações em antologias como "As coisas que as mulheres escrevem" da editora Desdêmona publicado em 2019.
Veja a coluna da Laura Elizia Haubert