Assumir a vice-presidência do Partido dos Trabalhadores (PT) de Florianópolis (SC) é, antes de tudo, um marco coletivo. Não se trata apenas de uma conquista individual, mas de um passo importante na construção de um projeto político que reconhece a força, a presença e a importância das mulheres negras nos espaços de direção.

Em um estado como Santa Catarina, onde a política institucional ainda é majoritariamente branca e masculina, ocupar este espaço significa tensionar estruturas e afirmar que a democracia só é plena quando é diversa. 

A presença de uma mulher preta na vice-presidência do PT municipal é também um marco de reparação histórica.

É um lembrete de que os grupos sociais que foram fundamentais para a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 – mulheres, pessoas negras e as classes populares – precisam estar devidamente representados nos espaços de poder e decisão dentro do próprio partido.

Essa vitória de 2022 não foi obra do acaso. Foram as mulheres que, em maioria, garantiram o voto em Lula. Foram as pessoas negras, que sofrem diariamente com a desigualdade, o racismo estrutural e a exclusão, que fizeram a diferença nas urnas. Essa é a base social que sustentou a volta de um projeto de Brasil mais justo, solidário e democrático. Portanto, fortalecer a presença dessas vozes na direção partidária é mais do que um gesto simbólico: é um compromisso com a coerência política e com a história.

Nosso desafio à frente do PT de Florianópolis é imenso. Queremos resgatar a mística e a vitalidade da militância, aproximar ainda mais a direção do conjunto da base, construir um diálogo mais próximo, dinâmico e transparente. Isso significa retomar processos de formação política, incentivar a organização de núcleos e coletivos, e criar espaços de debate vivos, onde cada militante possa se sentir parte da construção do partido.

Tudo isso com um olhar atento para o que está por vir: as eleições de 2026. Em Santa Catarina, e particularmente em Florianópolis, sabemos das dificuldades, mas também da necessidade de apresentar alternativas sólidas, com coragem e esperança. É fundamental que o PT esteja preparado, enraizado e conectado com as demandas reais da população, mostrando que há outro caminho possível para o estado e para a capital.

Estar na vice-presidência não é sobre mim. É sobre nós. É sobre mostrar que mulheres pretas não estarão apenas na linha de frente da luta, mas também liderando as decisões estratégicas.

Representa o compromisso de cuidar da nossa militância, fortalecer nossas bases e reafirmar, todos os dias, que o PT é – e precisa continuar sendo – o espaço da diversidade, da pluralidade e da transformação social.

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  • Bia Vargas

    Catarinense de 38 anos começou a empreender quando foi mãe. Voluntária social desde os 13 anos passando por grupo de jov...

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