Foto: Juliana Pereira

Coluna da Abrasabarca

Poéticas da convivência: quem pode parar

Postado em 29/07/2020, 9:46

do alto
de seu apartamento
em condomínio fechado
gilson defende
como bom sujeito
em favor de seu país
que a economia não pode parar
orgulhosamente fala
da importância do trabalho
ou melhor
do esforço
dos empreendedores
seus amigos
que estão prestes
a se tornar
como ele exemplos
de grandes empresários

“se o brasil parar
o que um pai de família
vai fazer para levar
o alimento à mesa?”
pergunta
em post bem argumentado
junto uma foto
de um vendedor ambulante
e todos acreditam
na sua preocupação
que ele expressa tão bem
sentado
sem máscara
na sacada
impecável
cheia de plantas e flores
bem cuidadas
por pessoas
de máscara
e olhos cansados
que não puderam parar
porque a economia
depende
da sua falta de ar
por vir
depende
de suas veias
obstruídas
depende
da secura
em suas mãos
do sono perdido
de tanto
que ficou pra trás
(isso gilson não mencionou
em seus posts)

gilson está preparando
publicação
sobre o que a humanidade
deve aprender
com a pandemia
em livro
em breve
disponível
pra venda

*Juliana Pereira




ABRASABARCA se dedica à pesquisa, descoberta e (re)invenção poética. Somos um coletivo que se formou em encontros para ler poemas e falar de literatura em torno da mesa, da fogueira, do vinho, dos livros. A brincadeira de ler em conjunto o texto de outras e outros nos trouxe o desafio e o prazer da escrita autoral. Formado por Ariele Louise, Ana Araújo, Elisa Tonon, Ibriela Sevilla, Juliana Ben, Juliana Pereira e Luciana Tiscoski, realizou as publicações Abrasabarca (Medusa, 2018) e Revoluta (Caiaponte, 2019). Principais performances: Durar ou arder? (Quinta Maldita, 2018), Uma mulher o que é? (Sarau da Tainha, 2019), Como olhas? (FestiPoa Literária, 2019), Revoluta (Bienal Internacional de Curitiba/ Polo SC, 2019).
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