Imagem: Laura Elizia Haubert

Coluna da Laura Elizia Haubert

Chicas que escrevem: Livia Corbellari

Postado em 31/07/2020, 8:50

A chica que escreve da semana é a Livia Corbellari, poetisa e também jornalista formada pela UFES. Lívia nasceu na Bahia e mora no Espírito Santo desde 1996. Faz tarde do núcleo da Revista Trino, e também mantém um projeto nas redes sociais chamado Livros por Lívia.

Vamos à entrevista! 😊

Como de costume, para começar você poderia contar um pouco de sua trajetória como escritora? Por que começar a escrever? E mais, por que continuar escrevendo?
A minha trajetória na escrita começou na época da faculdade de jornalismo, na qual eu participava de um projeto de extensão chamado “Cronópio”, que era formado por um grupo de escritores e aspirantes a escritores que se encontravam toda a semana para discutir textos produzidos por nós mesmos, a gente lia os textos que trazíamos em voz alta e cada um dava a sua opinião, foi um momento de muito crescimento como escritora e de troca também.

Eu comecei a escrever pela necessidade de elaborar alguns sentimentos meus, no começo era algo muito orgânico e pessoal, mas aos poucos foi se tornando um trabalho poético mesmo, já me arrisquei em alguns contos, mas sempre me encontrei melhor na poesia. E fui continuando a escrever, declamar alguns poemas nos saraus que eu organiza, publiquei em algumas revistas, até chegar o momento que decidi pensar num projeto de livro e comecei a organizar tudo que já tinha escrito e mais vários poemas novos e assim ia nascendo o “carne viva”, meu primeiro livro de poemas publicado em 2019, pela editora Cousa, mas que eu comecei a escrever, sem saber ainda, lá em 2010, quando ainda participava do Cronópio.

Você poderia nos contar um pouco sobre as suas influências. Quais nomes da literatura te marcaram? O que você anda lendo ultimamente?
Como muitas, no começo li muitos livros escritos por homens, mas me lembro do quanto a poesia da ana Cristina Cesar e da Hilda Hilst me marcaram a primeira vez que li, houve uma identificação direta que eu não sentia tão intensa com os livros escritos por homens. Ultimamente tenho lido muitas coisas diferentes, sou bem eclética, vou da ficção científica até a poesia. Os mais recentes que li foi “A mulher submersa”, da Mar Becker, “Minha querida Sputnik”, do Murakami”, “A vegetariana”, da Han Kang, “Labirinto mínimo”, da Fernanda Tatagiba.

Você tem um canal no youtube e também uma página no Instagram onde faz resenha de livros. Poderia contar um pouco sobre esse projeto? Como vê a relação entre suas leituras e sua escrita?
O “Livros por Lívia” começou da minha paixão pelo jornalismo. Em 2013, eu estava na metade da faculdade de jornalismo e com muito ânsia de escrever, mas não tinha um veículo especializado em jornalismo cultural ou sobre literatura aqui no Espírito Santo, então eu comecei o “Livros por Lívia” como um blog de resenhas e entrevistas com os escritores aqui do meu estado. Ao longo dos anos, fui abrindo as resenhas para livros de escritores de outros estados e de fora do Brasil também, queria escrever sobre tudo que eu lia, ai veio as redes sociais e além da internet eu produzi alguns eventos como a Zona Literária e este ano comecei o canal no youtube, porque acho que é uma forma de comunicação na qual posso acessar mais pessoas e mostrar a literatura produzida aqui no Espírito Santo também.

Sobre a minha relação de leitura e escrita é difícil dizer, é claro que tudo que atravessa a minha vida pode virar matéria para a poesia, assim como músicas e filmes também. No LL procuro fazer uma curadoria que tenha a ver com o meu tipo de leitura, mas também faço muitas pesquisa para indicar autores e autoras novos e diversos, ao mesmo tempo que esses dois trabalhos (as resenhas e os meus poemas) estão ligados, eles também estão separados.

Seu livro “Carne viva” marca sua estreia literária. Poderia apresentar o livro para os leitores do Portal? Como foi produzir e montar os poemas?
“Carne viva” é um livro de poemas dividido em 3 partes: “fluxo intenso”, “vias de fato” e “mar aberto”. Ele fala sobre ser mulher, sobre a cidade, a passagem do tempo, sobre dor, prazer e tudo que atravessa nosso corpo. São poemas que venho escrevendo de 2010 até 2019, que reuni no livro por achar que de alguma forma ele dialogam entre si.

Como foi sua experiência de publicação?
Foi uma experiência muito boa, o livro foi editado pela Cousa, uma editora aqui do Espírito Santo, o processo de revisão foi feito por uma amiga minha, a Maria Gabriela, e a diagramação e a capa pelo meu companheiro, o Heitor. A escrita às vezes é um processo muito solitário mas a produção de um livro é coletiva e isso foi muito bom. O livro também teve uma recepção bem legal e saíram algumas resenhas em jornais e portais literários, o que me deixou muito feliz e tem me incentivado a escrever mais.

Por fim, há algo que você gostaria de dizer para outras mulheres que escrevem? Ou, alguma mensagem final?
Escrevam, as nossas histórias precisam ser contadas por nós mesmas, não deixem ninguém te calar ou te apagar, continuem escrevendo.

Além dessa entrevista deliciosa a Lívia fez a gentileza de enviar as seguintes dicas:
Um livro: Ulpiana, de Bernadette Lyra.

Um filme: Não me abandone Jamais, de Mark Romanek

Uma série: Normal People.

Gostaria de agradecer imensamente a Livia Corbellari por ter aceitado por ter aceitado meu convite para participar e disponibilizar seu tempo para esse bate-papo online. Por hoje é só, por favor, lembre-se, leiam mais e leiam mulheres!




Laura Elizia Haubert é doutoranda em Filosofia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Graduada e Mestre em Filosofia pela PUC-SP. Autora do livro “Memórias de uma vida pequena” publicado pela Quintal Edições em 2019, e “Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul” publicado pela Patuá Editora em 2017. Já teve contos publicados na Revista Ponto do SESI-SP, na Revista Gueto e na Revista Subversa. Além de participações em antologias como "As coisas que as mulheres escrevem" da editora Desdêmona publicado em 2019.
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