Falar sobre educação sexual e respeito ao corpo ainda desperta resistências, mas é uma conversa indispensável, e que deve começar desde a primeira infância. É nesse momento que as crianças aprendem a reconhecer seus limites, a nomear o que sentem e a diferenciar o cuidado da invasão.

Para a pedagoga e coordenadora dos anos iniciais Cheila Cristiane Pereira da Silva, que atua na Marista Escola Social Lucia Mayvorne, no Maciço do Morro da Cruz, em Florianópolis, a escola tem um papel fundamental na prevenção e na identificação de situações de violência. 

Em entrevista às alunas, acompanhadas por Paula Guimarães, diretora executiva do Portal Catarinas, Cheila observa que a informação colabora para que as próprias crianças e adolescente possam identificar alguma situação de abuso e violência sexual, nos locais de convívio e assim contribuir para a quebra do ciclo de violência. Dar maior visibilidade ao tema é promover a autodefesa e abertura para o diálogo.

Por isso, reforça que o vínculo de confiança construído entre educadores e estudantes, as experiências e metodologias educacionais participativas, são essenciais e é o que torna possível a defesa de direitos e promoção de ambientes mais seguros, garantindo assim mais proteção.

Mesmo diante de movimentos que tentam impedir o debate sobre o assunto nas escolas, Cheila ressalta que é preciso falar sobre corpo, respeito e limites de forma responsável e adaptada à idade de cada estudante.

“Para a infância, é uma fala; para a adolescência, outra. Mas é preciso falar, sim”.

Confira a entrevista.

De que maneira a escola percebe as situações de violência?

Como convivemos diariamente com as crianças e adolescentes no espaço da escola, é possível perceber, em algumas situações, na mudança de comportamento, como agitação, choro, mais sensível diante de algumas situações, desmotivação para atividades, tristeza… E em outras, não é tão perceptível… No diálogo com alguém de confiança, é que o relato acontece.

O que a escola faz a partir da identificação das situações de violência? Tem algum protocolo específico?

Tem um protocolo específico, o Protocolo Municipal da Escuta Especializada de Florianópolis e seguimos essa orientação. O responsável é chamado e os encaminhamentos para rede de proteção são realizados.

Existe serviço psicológico de apoio?

Na escola não há esse atendimento. Seguindo do Protocolo, o encaminhamento é feito para Rede Socioassistencial que dará os encaminhamentos necessários (Conselho Tutelar; PAEFI – Programa de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos; Delegacia de Proteção a criança e adolescente; CAPSi -Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil; e demais órgãos), a partir da situação específica. 

E tem essa assistência com frequência ou é mais difícil?

Normalmente, o primeiro atendimento acontece de forma imediata, já os encaminhamentos para outros órgãos, para um atendimento sistematizado, segue o fluxo e a demanda dos serviços.

E qual é a média de idade das vítimas?

A média de idade é variável, considerando a faixa etária atendimento na escola que é dos 06 anos aos 18 anos, ou seja, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Em geral, qual o desfecho dos casos? 

Como mencionado, segue o Protocolo Municipal, e os encaminhamentos acontecem a partir da especificidade de cada situação.  A escola se mantém próxima e disponível à Rede Socioassistencial do município, e da família, buscando contribuir no cuidado e proteção dos educandos.

De que maneira a escola pode contribuir na proteção?

Acredito que a principal forma de proteção é por meio da orientação. Trazemos sempre sobre o respeito ao corpo do outro e sobre a importância de reconhecer esses limites. Assim, conseguimos criar um ambiente seguro para nossos estudantes.

Que mensagem você deixa para os estudantes que convivem com situações de violação de direito?

Que a nossa escola visa a proteção integral dos nossos estudantes, juntamente com as famílias e comunidade, atuando para que compreendam seus direitos e busquem reivindicar espaços de convivência com relações saudáveis e protetivas.

Esta produção integra o projeto “Comunicação, Saúde e Gênero – oficinas para juventude periférica de Florianópolis”, segunda edição do Narrar Para Transgredir, e tem apoio da Prefeitura Municipal de Florianópolis.

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