O assédio nas escolas, apesar de ser um tema urgente, ainda é cercado de silêncios. Para romper esse tabu e ampliar o debate, as estudantes Maria Izabel Gonçalves da Silva e Pyetra Cristina Caetano, do Marista Escola Social Lucia Mayvorne, em Florianópolis, entrevistaram educadores da instituição sobre como o assédio se manifesta no ambiente escolar e quais são os caminhos para prevenir que ele aconteça.

As entrevistas foram realizadas no âmbito das oficinas Narrar para Transgredir, promovidas pela Associação Portal Catarinas e acompanhadas pela assistente social Nicole Ballesteros Albornoz, presidente da organização. O projeto oferece oficinas de educação sexual e comunicação social para jovens das periferias de Florianópolis.

Depois das conversas e reflexões propostas pelas oficinas, as alunas levaram suas perguntas aos educadores da escola. Entre eles, o coordenador pedagógico Rodrigo Ludwig, da Marista Escola Social Lúcia Mayvorne (Florianópolis, SC), que destaca que o assédio pode acontecer de diferentes formas, e sobre todas elas é importante sabermos o que fazer, como encaminhar e combater essa violência.

A importância da prevenção e da escuta

A escola é espaço de aprender, ensinar, brincar e dialogar, dentre tantas outras manifestações, e por isso mesmo se faz campo oportuno de relatos de situações indesejadas, como as próprias situações em si, quando não se tem um direcionamento pedagógico e de valores sobre isso.

“Na vida adulta, são necessárias a assertividade e celeridade, tendo em vista que alguns casos envolverão etapas pedagógicas na tratativa, e alguns podem caminhar para a jurisprudência, daí a necessidade do olhar cuidadoso e rápido”, afirma.

Segundo o coordenador, tais violências aparecem na escola muitas vezes sob forma de uma revelação espontânea, o que ressalta mais uma vez a relevância do olhar com atenção, dar espaço de fala, acolher o que venha. “Como unidade marista, temos nosso próprio núcleo de proteção integral, que visa manter sempre em evidência a conscientização, a prevenção e o combate aos abusos os mais variados”, explica Rodrigo.

O papel da escola: agir e educar

A professora Rita de Cássia Malagoli, que trabalha há 12 anos no Marista, reforça que as

denúncias são tratadas com absoluto sigilo e que a instituição dispõe de canais próprios para o recebimento dos relatos. Segundo ela, a escola conta com a CIPA, uma comissão interna

de prevenção de acidentes e assédio, que atua na proteção e orientação da comunidade escolar.

Para Rita, o papel da escola é duplo: agir com firmeza diante de casos de assédio e educar para prevenir novas situações.

“A escola sempre luta contra qualquer tipo de preconceito ou situação que vá ferir a imagem de uma pessoa. Tudo é comunicado formalmente e a instituição tem como lidar com essas situações. Temos assistentes sociais para todos os segmentos e estamos sempre promovendo campanhas e trabalhando com murais informativos”, conta.

Ela destaca que muitos casos chegam de forma indireta, a partir da confiança dos alunos em professores e funcionários, o que torna essencial manter uma postura acolhedora e atenta.

Comunicamos o serviço social, acionamos o canal de denúncia, e escola sempre toma uma atitude em relação”, explica.

A denúncia é o primeiro passo para romper o silêncio

Os educadores lembram que a educação sexual é uma ferramenta importante de prevenção e a escola pode oferecer um espaço seguro de fala e acolhimento.

“Já tivemos várias oficinas aqui na escola sobre o tema, como a Das Minas e das Manas. O professor de Ciências também sempre aproveita o espaço para conversar com a turma sobre temas como a gravidez na adolescência”, conta Rita.

O enfrentamento ao assédio nas escolas começa pela escuta e pela coragem de agir. Para os educadores e estudantes do Marista Escola Social Lucia Mayvorne, falar sobre o tema é também uma forma de proteger.

As oficinas Narrar para Transgredir, promovidas pelo Portal Catarinas, têm justamente esse propósito: formar meninas e jovens para narrar suas próprias histórias, questionar violências e transformar a realidade ao seu redor.

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