Trabalho, maternidade e domesticidade é o primeiro capítulo da série Mulheres de Luta: feminismo e esquerdas no Brasil/Imagem: Brasil Mulher. São Paulo, Ano 2, nº 8, 1977, p. 14.

Mulheres de luta: Trabalho, maternidade e domesticidade

Postado em 21/05/2020, 17:08

“Trabalho, maternidade e domesticidade” é um dos episódios do webdocumentário “Mulheres de Luta: feminismo e esquerdas no Brasil”

Por Soraia Carolina de Mello*

A pandemia causada pelo vírus Covid-19, e a consequente quarentena, ou isolamento, resultante da mesma, tem posto em xeque nossas já borradas fronteiras entre público e privado, sobretudo nas camadas médias e urbanas da população, aquelas que em grande medida têm ficado em casa. Muitas atividades ligadas à noção de esfera pública estão sendo realizadas agora dentro de casa, no “lar”, esse conceito que se pretende universal. Mesmo não sendo universal, o lar é tradicionalmente o espaço do cuidado e, diante de uma pandemia que se enfrenta com trabalho redobrado de higiene e de limpeza, e cuja melhor arma disponível de combate é ficar dentro de casa, desigualdades de gênero se aprofundam.

 

As mulheres, principais responsáveis pelos cuidados domésticos e com crianças, em todas as pesquisas já realizadas pelo IBGE sobre a questão, estão fazendo malabarismos para executar o trabalho remunerado de dentro de casa, higienizar compras do mercado e tudo que vem da rua, limpar a casa repetidas vezes por dia combatendo o vírus, ao mesmo tempo em que buscam entreter crianças às vezes presas em pequenos apartamentos nos quais nem mesmo bate sol. Essas condições variam, entre a cidade e o campo, entre as diferentes composições familiares e moradias, entre as diferentes ocupações, e em função de marcadores sociais e culturais. São condições que estão, contudo, largamente presentes. Outras questões de gênero se sobrepõem, ainda, nessa situação, como por exemplo o aumento da violência doméstica.

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As entrevistas que compõem o tema “Trabalho, maternidade e domesticidade” do webdocumentário “Mulheres de Luta: feminismo e esquerdas no Brasil” foram gravadas em 2017, em um contexto muito diferente de 2020. Elas nos ajudam, contudo, a pensar sobre algumas dessas questões.

Quer saber mais?
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Ficha técnica:
Entrevistas: Soraia Carolina de Mello
Filmagem: Elaine Schmitt
Edição: Marina Moros e Soraia Carolina de Mello

*Soraia é professora do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Contribui com as equipes de trabalho do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH) e do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC desde 2005, com pesquisas focadas no debate acerca do trabalho doméstico. Editora de artigos da Revista Estudos Feministas.

Edição de Morgani Guzzo.