Discurso antigênero ganha força no YouTube em anos eleitorais
Durante as últimas duas eleições, houve um crescimento expressivo de vídeos no YouTube que defendem papéis tradicionais de gênero e antifeminismo.
É o que mostra o Radar Antigênero, ferramenta da Gênero e Número que analisa milhares de vídeos publicados entre 2018 e agosto de 2025.
O mapeamento demonstra como o discurso antigênero no YouTube brasileiro se tornou um ecossistema político-digital estruturado e permanente.
Desde 2018, mais de 5 mil vídeos com discurso antigênero foram publicados no YouTube brasileiro e o levantamento evidencia que os picos de produção seguem uma lógica associada a disputas políticas.
Em 2022, por exemplo, o volume de vídeos cresceu 111% entre fevereiro e maio, acompanhando a pré-campanha presidencial.
Entre abril e junho de 2024, mais de 560 vídeos foram publicados, acompanhando as eleições municipais e mostrando como o período eleitoral impulsiona o discurso antigênero.
Entre os principais temas dos vídeos analisados entre 2018 e 2025, estão a defesa de papéis tradicionais de gênero (65% dos vídeos), antifeminismo (25%) e moralidade (20%).
Os principais alvos são as mulheres, pessoas LGBTQIA+ (especialmente pessoas trans), feministas, jornalistas, artistas e influenciadores.
As estratégias narrativas variam do humor depreciativo, que ridiculariza mulheres e pessoas trans, à mobilização do medo e da ameaça.
Os vídeos também trazem ataques pessoais e teorias da conspiração, compondo um repertório que reforça estigmas e amplia a polarização.
“A partir do humor ou da suposta ‘opinião pessoal’, reforçam-se violências simbólicas e estruturais contra mulheres, pessoas trans, negras e instituições democráticas.”- Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número.