Linha editorial

Jornalismo em perspectiva de gênero
O Portal de Notícias Catarinas é um veículo de jornalismo especializado em gênero. Nossa proposta de trabalho consiste em desenvolver conteúdo jornalístico de qualidade, com perspectiva feminista, na área de direitos humanos e enfoque no direito das mulheres. Quando falamos em gênero, tratamos também do termo equidade, pois em uma sociedade patriarcal, para que se estabeleça a igualdade entre homens e mulheres, é necessário construir condições sociais de forma que tais diferenças não se tornem desigualdades.

Acreditamos também que discutir gênero só é possível quando discutimos todas as implicações desse termo, o que deriva em tratar também de sexualidade e da desconstrução do binarismo e da heteronormatividade como regra. O que é ser mulher e o que é ser homem em nosso tempo? É possível ser homem e mulher para além dos padrões sociais estabelecidos ao longo da história da humanidade? Chegará um tempo em que seremos aquilo que queremos ser, sem que se estabeleçam regras sobre nossos corpos e nossas práticas? É nesse lugar de aprendizado cotidiano que pretendemos contar a história do tempo presente, através do jornalismo.

A linha editorial de Catarinas se encontra na intersecção entre o jornalismo como um direito e os direitos humanos como uma premissa básica para a produção do jornalismo. Também se identifica como feminista, pretendendo o diálogo com as diversas linhas teóricas e políticas do feminismo, mediando suas perspectivas diante da realidade. Dentro da compreensão ética do exercício profissional do jornalismo, Catarinas se coloca com uma unidade ativista do jornalismo enquanto direito e do feminismo enquanto estratégia de ação para a superação desta sociedade que ainda reserva lugares para as mulheres.

Para dar materialidade ao portal, criamos um núcleo executivo, que tem como tarefa encaminhar as demandas do portal e a produção do conteúdo jornalístico e um conselho Editorial que desse suporte a produção e divulgação desses conteúdos.

Convergência de formatos, pluralidade de conteúdo
Catarinas é um canal de comunicação livre, que abrange o jornalismo especializado e de opinião, apresentado ao público nos mais diferentes formatos e/ou gêneros textuais, a partir das convergências possibilitadas pelo jornalismo na web. Nossas editorias também buscam as possíveis relações entre os termos gênero e feminismo com outras áreas como políticas, saúde, cultura, participação, direitos, entre outras. Trabalhamos em três frentes relativas ao conteúdo:

Santa Catarina e a violência em casa e na mídia
Único estado em todo território nacional a carregar um nome baseado na figura de uma mulher, Santa Catarina tem o quinto maior índice de estupro do país e uma das suas cidades, Chapecó, está entre as cinco em violência contra a mulher. A cada 12 horas uma mulher é agredida pelo próprio companheiro no estado. Nas esferas pública e política, a situação das mulheres catarinenses ainda é muito difícil. A mulher negra pode ganhar até 60% a menos do que o homem branco. Dos 40 deputados/as estaduais eleitos/as em 2014, somente quatro são mulheres. Na capital, desde 2004 não é eleita uma vereadora.

Mesmo que existam iniciativas importantes na área de comunicação e gênero no estado, Catarinas nasce como o primeiro portal feminista de jornalismo, tentando contribuir com a produção de conteúdo jornalístico especializado no tema. Também é importante destacar que a mídia tradicional costumeiramente dissemina versões distorcidas da realidade no que diz respeito às questões de gênero. Embora haja um esforço de algumas e alguns jornalistas na mudança dos paradigmas sobre a condição de homens e mulheres na sociedade, os meios de comunicação promovem, em grande parte dos momentos, visões conservadoras, reflexo da sociedade patriarcal e machista a qual estamos dispostas a transformar.

Neste sentido, Catarinas busca propor outra narrativa jornalística sobre o tema, diferente desta que reproduz estereótipos e não constrói a equidade de gênero.

Conselho Editorial

O conselho editorial do Portal Catarinas é composto por mulheres de campos de atuação diversos para dar suporte teórico e pluralidade de ideias na construção do conteúdo especializado do qual temos como objetivo acompanhar, produzir e divulgar. Somam-se a este espaço

Alexandra Peixoto

Alexandra Peixoto

DJ, blogueira e webcomunicadora. Foi assessora de comunicação da Católicas Pelo Direito de Decidir e atuou na Escola de Ativismo como secretária e facilitadora em aprendizagem à distância. Atualmente é DJ de música brasileira na Casa de Noca e editora da página “Documentários Online, outro mundo é Possível” e do blog Radical Democracia.

Clair Castilhos

Clair Castilhos

Farmacêutica-bioquímica, sanitarista, secretária executiva da Rede Feminista de Saúde e integrante da Casa da Mulher Catarina. Foi a primeira vereadora de Florianópolis.

Cristiane Mare da Silva

Cristiane Mare da Silva

Mestra pela PUC/SP em História Social. Atua como pesquisadora associada no Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina e no grupo de estudos Cecafro da PUC/SP. É secretária de mulheres da União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) e integrante do Coletivo de mulheres negras Pretas em Desterro.

Guilhermina Cunha Ayres

Guilhermina Cunha Ayres

Bibliotecária documentalista. Atualmente é vice-presidenta da ABGLT e Diretora de Informação da Acontece – Arte e Política LGBT. Foi conselheira do Conselho Nacional Contra a Discriminação (CNCD/LGBT) e do Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CONATRAP) entre 2013 e 2015.

Lilian Rossi

Lilia Rossi

Jornalista, atua em saúde pública e na resposta à epidemia do HIV/Aids. Sua expertise se concentra no público LGBTT nas perspectivas do fortalecimento de capacidades, da comunicação e da defesa dos direitos. Atualmente trabalha no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Monica Siqueira

Monica Siqueira

Graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996), mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina e Pós-Doutora pelo Instituto Interdisciplinar em Ciências Humanas (UFSC). Especialização em Gestión de Organizaciones con Perspectiva de Género pela Universidad Abierta Interamericana/UAI, Argentina.