São mais de 50 expositoras que vendem, entre outros produtos, camisetas, canecas, vestidos, turbantes, bonecas, bolsas, plantas, bolos, doces, queijo, quadros e bótons. Foto: Catarinas/Silvia Medeiros.

Saberes e experiências compartilhados na Tenda “Feminista e Solidária”

Postado em 03/08/2017, 16:06

Acomodada entre panos de pratos cuidadosamente pintados, toalhas de mesa feitas no crochê e chinelos de dedos personalizados com flores bordadas estava Maria Romilda da Silva, quilombola de Campos Novos que veio do quilombo Invernada dos Negros, há mais de 300 quilômetros de Florianópolis, para expor os produtos feito por ela, as seis filhas e a neta. Maria Romilda é uma das dezenas de mulheres que expõe seus produtos na Tenda Feminista e Solidária no Congresso Mundos de Mulheres e Seminário Fazendo Gênero, evento internacional que reúne mais de 8 mil mulheres na capital catarinense.

Ao falar das vendas de seus produtos ela não demonstra entusiasmo, se queixa que num dia não vendeu, mas quando fala sobre sua origem e a comunidade em que mora, ela se empolga e conta detalhes. Fala do serviço na agricultura e do cuidado com os gados leiteiros, tarefa dividida entre os homens e mulheres do quilombo, que abriga mais de mil pessoas. Romilda fala da luta pelo reconhecimento da terra dos quilombos e da oportunidade de participar desse evento e poder mostrar para outras mulheres os crochês e artes que aprendeu com sua avó e que agora ensina a bisneta.

Romilda, uma das expositoras da tenda “Feminista e Solidária”. Foto: Catarinas/Silvia Medeiros.

Do outro lado do corredor, Maria Gorete e Silva esta sentada tecendo uma manta de lã. Acostumada a participar de exposições e feiras, ela fala da oportunidade de conhecer pessoas de outros estados e países nesses eventos. Gorete se considera uma pessoa falante e diz que participar desses espaços preenche o vazio que ela sente quando abandonou as salas de aula como professora e mudou de cidade por causa do emprego do marido. “Comecei a tear há 32 anos, depois que fomos morar no oeste de Santa Catarina. Quem me ensinou foi o meu marido e hoje o meu trabalho garante uma renda para meus gastos pessoais”. Muito além do dinheiro que Gorete ganha com a produção, para ela o maior ganho é estar sempre em atividade e interagindo com as pessoas.

Interação e solidariedade são adjetivos presentes na Tenda Feminista. A maioria das mulheres trabalha sozinha e, quando se ausentam, as vizinhas de tenda ajudam na venda dos produtos. É na lógica de colaboração mútua que as artesãs de Itapema, Vera Lucia Bergold e Sonia Sueli Alves de Lima integram o Fórum Litorâneo da Economia Solidária. O Fórum reúne 14 pessoas, 13 mulheres e apenas um homem, que de forma coletiva se fortalecem como pequenas empreendedoras.

Numa das entradas da tenda, o colorido dos tecidos vendidos pelas mulheres moçambicanas chama a atenção. O grupo de mulheres que veio para participar do evento aproveitou a oportunidade para expor o trabalho que elas produzem e comercializam para garantir recursos aos coletivos de mulheres que atendem vítimas de violências e portadoras do vírus do HIV.

Mulheres de Moçambique Le Musica que significa levante-se mulher e siga seu caminho. Foto: Catarinas/Chris Mayer.

A Tenda foi pensada pela comissão organizadora do evento não apenas como um ponto de comercialização, mas como um local em que se pudesse apresentar produtos feitos por mulheres e que além de sustento próprio, tivesse um retorno financeiro revertido para organizações de empoderamento feminino. São mais de 50 expositoras que vendem, entre outros produtos, camisetas, canecas, vestidos, turbantes, bonecas, bolsas, plantas, bolos, doces, bolachas, queijo, quadros e bótons. A tenda “Feminista Solidária” fica aberta das 10h às 20h.

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