Candidata Angela Albino em campanha/Foto: divulgação

A plataforma da candidata Angela Albino para as mulheres

Postado em 26/09/2016, 12:49

A candidata Angela Albino, da coligação “Unidade pela Democracia” (PCdoB e PT), foi a terceira a responder ao questionário proposto pelo Portal Catarinas. Todas as candidaturas foram convidadas a apresentar suas ideias e propostas com ênfase nas políticas públicas de equidade. Amanhã, é a vez do candidato Elson Pereira.

1- Partidos políticos tem obrigatoriedade nas cotas de gêneros de candidaturas ao legislativo. Como você vê essa medida?
Angela Albino:
Eu avalio como muito importante, principalmente a partir do momento que as cotas de gêneros se tornaram obrigatórias. Ações afirmativas sempre evidenciam a necessidade histórica e o compromisso da sociedade em reverter um quadro de profunda injustiça. Foi um avanço a conquista da obrigatoriedade das cotas nas disputas eleitorais. Precisaríamos ter aprofundado com as cotas de cadeiras nos espaços parlamentares. Infelizmente ainda não temos um cenário que aponte algum sucesso nessa linha considerando a composição do atual Congresso Nacional de nosso país. Sobre isso, há que se considerar ainda que o Brasil é um dos lugares do mundo que tem a menor participação política de mulheres, e lamentavelmente, Santa Catarina é um dos lugares do planeta onde as mulheres estão mais excluídas do poder político. Uma coisa explica a outra. Como não temos poder político, nós não disputamos a força real e assim a violência e todas as questões que envolvem a temática feminina ficam secundarizadas.

2- Atualmente, Florianópolis tem uma Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para a Mulher, ligada ao gabinete do prefeito. Ela não tem recursos específicos e encontra dificuldades na implantação de política públicas. Qual seu plano para essa pasta? Há preocupação em garantir que ela seja dirigida por uma mulher que tenha amplo diálogo com o movimento social?
Angela Albino
: Sou feminista publicamente assumida. Estou na terceira disputa eleitoral concorrendo à Prefeitura de Florianópolis: em 2008, 2012 e agora em 2016. Desde a primeira vez defendi e defendo que tenhamos em nossa capital uma Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, recursos humanos e financeiros próprios. Uma secretaria estruturada de fato para pensar, elaborar, articular e executar políticas públicas de equidade de gênero e enfrentamento ao machismo tão presente no conjunto de nossa sociedade. Para isso, é essencial que essa pasta seja dirigida por uma mulher com ampla participação no movimento social de mulheres. Agora, não basta existir a coordenadoria e ter lá uma coordenadora e uma secretária. O município precisa amparar e incentivar a atividade desta coordenadoria tão importante para os tempos atuais em que a sociedade se deu conta que a causa das mulheres não diz respeito somente às mulheres, mas a todos.

3 – Quais suas propostas relativas à política pública de equidade, sobretudo quando o assunto é gênero?
Angela Albino: Nosso Plano de Governo traz várias proposições neste sentido, e pode ser acessado em nossa página (http://www.angelaalbino.com.br/65/). Mas destaco aqui algumas: Implantar a Casa Abrigo para mulheres que correm risco de vida; Fortalecer o CREMV (Centro de Referência de Atendimento à Mulheres em Situação de Violência), em consonância com o que preconiza a política da mulher debatida e aprovada nas conferências nacionais; Criar uma Rede de Atendimento das Mulheres em Situação de Violência prevista no Pacto pelo Enfrentamento à Violência; Estabelecer ações na área da saúde pública com vistas ao atendimento da mulher em todas as fases de sua vida (da jovem até a idosa); Aumentar a oferta de equipamentos comunitários como lavanderias, restaurantes populares, creches e áreas de lazer; Desencadear ações e campanhas que visem à autonomia, liberdade de escolha, equidade, à não violência de gênero e o resgate da atenção obstétrica integrada, a redução dos índices de cesarianas desnecessárias, ações consideradas intervencionistas, garantia de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos e a humanização no atendimento ao pré-parto, parto e pós-parto, com a mudança de modelo de cuidado e combate à violência obstétrica; Tornar Florianópolis referência com a implantação do Centro de Parto Humanizado; Além disso, conforme já mencionei, criar a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, com estrutura financeira e de recursos humanos; Outras propostas podem ser acessadas em nosso Plano de Governo.

4- Em sua opinião, é importante haver debate sobre as questões de gênero nas escolas municipais? 
Angela Albino: Certamente que sim. É fundamental. O machismo, o sistema patriarcal, impõem a opressão de gênero e essa é uma questão cultural que precisa necessariamente ser enfrentada desde cedo com as novas gerações. Precisamos criar crianças que encarem as diferenças e as multiplicidades de expressões como elas tais e não por meio das discriminações. O aparato escolar compõe um importante elo na formação ideológica das crianças, a convivência em sociedade das crianças se dá, em grande parte, nas escolas com outras crianças e profissionais da educação. Levar, estimular e garantir o debate de gênero e sobre as desigualdades sociais no ambiente escolar é, repito, fundamental, na contribuição das mudanças culturais. Como supor que possamos ter no futuro uma geração de cidadãos e cidadãs conscientes dessas questões se elas forem marginalizadas e relegadas a último plano justamente no processo formativo das pessoas. É na escola, em diferentes ambientes educativos, formais e não formais, que tratamos de valores e princípios. E aqui tratamos o tema de gênero nessa dimensão.

5- A mobilidade urbana é alvo de descontentamento para grande parte dxs moradorxs da capital, seja pela falta de linhas, pela qualidade dos ônibus, pelo preço da tarifa ou pelo modelo consorciado com as empresas privadas. Qual a sua opinião sobre esta demanda? Quais políticas você propõe para tornar o transporte mais eficiente, especialmente para as mulheres trabalhadoras e estudantes, que formam o maior contingente de usuárixs do transporte coletivo?
Angela Albino:
Considero importante que a gente, definitivamente, aposte em outros modais para estimular o aumento da utilização do transporte coletivo em nossa cidade e torná-lo mais eficiente. A construção de corredores exclusivos para os chamados BRTs, que de maneira didática poderíamos comparar com um metro de superfície e sobre pneus, é uma das nossas propostas. Além disso, temos que criar condições e dar segurança que incentivem o uso de bicicletas na cidade. Não podemos mais pensar a cidade e a mobilidade priorizando os carros. Isso tem que acabar. A ideia do transporte marítimo também precisa avançar. Há algumas eleições as candidaturas prometem a implantação do transporte marítimo e, no entanto, nada foi feito. Estou falando de algo que funcionou na Ilha antes da construção da Ponte Hercílio Luz. Eu não compreendo como uma cidade que há um século, até a década de 20, fazia sua travessia Ilha-Continente por barco, agora não dá. Eu entendo que nós devemos pensar o sistema marítimo ideal, sabendo que não vamos implementar ele hoje, mas vamos começar. Vamos aos poucos. É uma obviedade tão clara, que fica difícil de entender por que toda eleição ela aparece, toda eleição todo mundo se compromete, e todas as gestões não fazem. Estou certa de que Florianópolis tem demanda que suporte um plano de implantação do transporte marítimo de forma sustentável economicamente, basta considerar que demanda não faltará e que diferente modelos podem contribuir no curto, médio e longo prazos para a alavancagem desses investimentos. Também tenho convicção de que as soluções para a mobilidade em Florianópolis não serão efetivas se os municípios vizinhos, principalmente São José, Palhoça e Biguaçu, não participarem da sua idealização e execução. Florianópolis, como capital do estado, tem que liderar esse movimento. A mobilidade urbana, assim como saneamento, destinação de resíduos sólidos e mesmo a questão de desenvolvimento econômico precisam ser tratadas com a Região Metropolitana. Um aspecto que certamente contribuirá para a maior eficiência do transporte público na cidade é a sua conectividade com usuárixs, através de integração de horário, itinerários, etc. com aplicativos de celular e a Internet.

6- Ainda sobre mobilidade urbana, quais as propostas para as pessoas que querem se deslocar para praias, bairros ou centro nos fins de semana, mas não encontram opções em função da falta de linhas/horários?
Angela Albino:
Vamos exigir que as empresas que operam o sistema de transporte coletivo na cidade ampliem as linhas e horários de ônibus nos fins de semana para que as pessoas tenham como opção deslocar-se de ônibus para se divertir, passear com a família. Para isso é preciso fiscalizar e cobrar melhores serviços do consórcio Fênix que atendam às necessidades da população durante a semana e nos fins de semana também.

7 – Como você pensa a democratização dos espaços/áreas de lazer para a população trabalhadora?Angela Albino: Incentivar o uso dos espaços públicos: praças, parques e ruas é algo essencial. Fomentar setores como a cultura e o esporte é uma de nossas prioridades de governo. Para isso precisamos de uma prefeitura conectada e que tenha presença. Nos últimos tempos vivemos a completa ausência do gestor da cidade. Enquanto prefeita vou trabalhar junto com técnicos da prefeitura para fomentar os talentos e os eventos locais, com ações que incentivem a ocupação das áreas de lazer da cidade. Lamentavelmente, os pontos de cultura são hoje espaços e equipamentos negligenciados de produção e vivência de cultura. Vamos avançar muito na democratização dos espaços de convivência da cidade, melhorando os já existentes e ampliando esses locais em bairros onde há carência de infraestrutura de lazer. Devemos buscar métodos de gestão compartilhada com a comunidade. O uso de espaços públicos de cultura, esporte e lazer requer empoderamento das comunidades para definir sua vocação, uso, programações e gestão. Quero fazer isso apostando no diálogo, garantindo a multiplicidade de manifestações e a intergeracionalidade.

8 – Sobre o déficit de vagas em creches, histórico em Florianópolis, qual sua proposta?
Angela Albino:
Essa questão também consta com mais detalhes em nosso Plano de Governo, mas quero salientar aqui, sucintamente que precisamos urgentemente construir mais creches nos bairros, de imediato propomos a construção de duas novas unidades, no padrão da Creche Hassis, construída na Costeira do Pirajubaí. Também propomos que as creches tenham cobertura integral, e em horário estendido para o noturno inclusive, a fim de atender também as mulheres mães que trabalham durante o dia e estudam à noite e não tem com quem deixar suas crianças. Vamos garantir também o funcionamento das creches públicas no período de férias de verão, como alternativa para as famílias que precisam, compreendendo a necessidade do contexto de nossa cidade nesta época do ano que abre muitas possibilidades de trabalho e geração de renda para um contingente populacional que necessita trabalhar neste período. Creche precisa ser um espaço que assegure as nossas crianças a oportunidade de vivenciar o aprendizado e o desenvolvimento. Precisamos ter vagas disponíveis para que as famílias não fiquem fora do mercado de trabalho, mas precisamos focar na qualidade da educação e no suporte aos educadores e educadoras para que possam dar educação de qualidade as nossas crianças, garantindo o seu melhor desenvolvimento.

9 – Como você vê a participação de mulheres na política hoje?
Angela Albino:
Ainda precisamos avançar muito, mas já temos mulheres atuantes na Câmara Federal, no Senado e até em algumas prefeituras. Agora, aqui em Florianópolis o cenário é mais catastrófico. Em 300 anos de Câmara, apenas 7 mulheres ocuparam o cargo de vereadoras, sendo que nem todas foram eleitas, porque algumas eram suplentes. Eu fui a última, eleita em 2004, então estamos há duas legislaturas sem representação feminina na Câmara. Tenho firmado um entendimento, com o passar dos anos, que é fundamental elegermos mais mulheres feministas para os espaços decisórios. É sintomático em alguns países termos um considerável índice de mulheres eleitas, mas não se consegue avançar na formulação de políticas públicas que atendam as reivindicações feministas. Em meus mandatos como parlamentar priorizei fortemente a apresentação de projetos de lei que visavam atender as demandas dos movimentos sociais. Além disso, também sempre fizemos audiências públicas que debatiam questões importantes para todas.Ter mais mulheres na política é importante. Ter mais mulheres feministas, comprometidas com as reivindicações feministas, é fundamental e urgente para as mulheres.

10 – Florianópolis tem índices expressivos no que diz respeito à violência contra a mulher. Quais suas propostas para enfrentar essa situação?
Angela Albino:
Faremos campanhas públicas de combate à violência contra as mulheres, vamos fortalecer o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência –  CREMV para que seja mais conhecido e tenha condições de fazer busca ativa nas comunidades de Florianópolis, criaremos a Casa Abrigo para mulheres que correm risco de vida e, ao criarmos a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, certamente com feministas no comando, tenho certeza que vamos articular com outras áreas e outros órgãos públicos (segurança pública estadual, judiciário, poder legislativo, defensoria pública e outros), de forma transversal, o enfrentamento as violências contra às mulheres.

11- Qual o seu plano para garantir o funcionamento do Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – CREMV com atendimento adequado às mulheres vítimas de violência?
Angela Albino:
Quando digo que vamos fortalecer o CREMV me refiro à recomposição da equipe técnica interdisciplinar que atua nesse equipamento. Atualmente o CREMV funciona das 08 às 19 horas, mas precisamos ter mais assistentes sociais, psicólogas, pedagogas e quadro jurídico que estejam presentes em todo o horário de atendimento. Precisamos ter tanto equipe técnica como estrutura de carro/motorista disponíveis para fazer a busca ativa, para visitar os CRAS e os CREAS, para ir às comunidades conversar com as mulheres para que saibam e conheçam este importante equipamento que temos em nosso município. As mulheres de Florianópolis, todas, precisam saber que podem contar com os serviços desta equipe técnica gratuitamente em casos de violência doméstica. Desta forma elas poderão ajudar alguém da família, uma vizinha, a filha, a professora, a amiga do trabalho ou ela própria que vem sofrendo violência doméstica ou conjugal e não sabem onde buscar orientações. Precisamos fortalecer o CREMV, definitivamente. 12. Considerações finais (caso necessário) sobre a plataforma da candidatura.

12 – Considerações finais (caso necessário) sobre a plataforma da candidatura.
Angela Albino:
Sou apaixonada por nossa cidade. Nasci no continente. Em Florianópolis, estudei e iniciei minha vida profissional. Me formei técnica em enfermagem e bacharel em direito. Sou servidora pública do judiciário. Me fiz lutadora pelas causas dos direitos humanos, dos trabalhadores e trabalhadoras e do desenvolvimento sustentável. Assim fui vereadora, deputada estadual e atualmente deputada federal, tendo sido a mulher mais votada do estado nas últimas eleições. Florianópolis me honrou com a segunda maior votação na cidade para Câmara Federal em 2014. Como candidata a prefeita, tenho uma posição: queremos desenvolvimento com sustentabilidade, valorizando a economia criativa, a inclusão social e a preservação dessa natureza privilegiada. Florianópolis, valoriza a qualidade de vida e não pode seguir assistindo à degradação de seu meio ambiente e à omissão de seus gestores. Acredito que vivemos novos tempos que exigem novas ideias, comprometidas com a sua realização. Precisamos de soluções concretas e urgentes. Temos propostas para transformar Florianópolis em uma cidade melhor para se viver. Com novas ideias, novas atitudes, para um novo tempo. Eleição é coisa séria. Entrei na política porque acredito que podemos fazer mais por nossa cidade e pelo Brasil. Tenho esperança de que podemos construir um futuro melhor. Uma coisa é certa, os mesmos que há 20 anos governam a cidade não representam o novo. Minha trajetória política é a prova de que tenho coragem e disposição para mudar Florianópolis.