A exposição abre no próximo dia 28, sexta-feira, em Florianópolis/Foto: Catarinas

As Outras Meninas de Manu Cunhas em exposição no Nacasa – Coletivo Artístico

Postado em 25/04/2017, 16:55

As verdades absolutas, que pregam o que é ter sucesso, beleza e, por fim, o que é ser mulher, se diluem nas curvas, texturas e subjetividades de personagens reais por meio do olhar artístico de Manu Cunhas, no livro de ilustrações “Outras Meninas”. A designer lança, na próxima sexta-feira (28), às 19h, a sua primeira exposição artística, à qual levará algumas das obras mais simbólicas da publicação. “Outras Meninas” segue até 8 de maio, de segunda a sexta, das 10h às 18h, no NaCasa – Coletivo Artístico, em Florianópolis. Além das ilustrações de mulheres nuas e suas histórias, a exposição vai contemplar ainda o processo de elaboração, com esboços das aquarelas.

Lançada em setembro de 2016, a publicação foi financiada por mais de 554 apoiadorxs na plataforma Catarse, atingindo quase o dobro da meta de R$ 32 mil. Por meio de relato e fotos enviadas por mulheres do Brasil todo, Manu retratou cada personagem anônima com ilustrações em aquarela e outras experimentações. O trabalho surgiu de forma espontânea a partir da necessidade pessoal da autora de refletir sobre suas frustrações e baixa autoestima como fatores da imposição de um padrão de beleza.

A ilustradora também teve como motivação a criação de uma contranarrativa à representação feminina sexualizada por ilustradores homens. “Sempre questionei o padrão. A mulher precisa estar num molde, senão é um ser humano menor. A magreza faz parte de um sistema comercial machista de dominância, no qual o valor da mulher está aparência e do homem nos resultados que ele produz”, afirma Manu.

Nessa relação com outras mulheres, suas inquietações e anseios, o feminismo se apresentou com mais clareza para a designer. “Achei que para ser feminista precisava estudar, me envolver muito politicamente, não imaginei que fazia parte do meu dia a dia”, conta.

Além de dar espaço para que cada mulher reconhecesse a beleza em sua singularidade, o livro desperta nas pessoas o exercício de empatia, como avalia Manu. “Meninas gordinhas, por exemplo, que automaticamente puxam a camiseta quando sentam para esconder as ‘dobrinhas’, continuam com o cacoete da autodepreciação mesmo que isso não resolva. Você se coloca no lugar dessa pessoa e começa a ter sentimentos mais complexos sobre ela.”

“Outras Meninas” gerou uma rede de apoio na Internet com mensagens de mulheres, principalmente adolescentes, abordando a relação de conflito que estabelecem com o corpo. “Na fase da adolescência começa a crise pessoal de aparência. As meninas têm sua autoestima esmagada por uma opressão que surge do nada”, destaca.

A autoestima de Manu também se fortaleceu com o resultado dessa mobilização gerada pelo encontro de mulheres diversas. “Quando a gente toma consciência de uma situação não deixa de ficar triste, mas começa a perceber que há razões para aquilo. Existe uma aflição de que somos culpadas por tudo, como se não conseguíssemos atingir nossos objetivos porque não somos suficientemente bonitas. Mas existem outras respostas, como por exemplo: talvez o mundo seja tão pequeno que quase ninguém consiga se enfiar nele”.

O convite para a exposição traz a capa do livro

Formada em Design Gráfico pela UDESC, onde lecionou por alguns anos, Manu é ilustradora freelancer e autora de outros dois livros financiados colaborativamente: “Como diria meu gato” e “Guia de cuidados felinos”.