Protesto de Robles, filha de vítimas da ditadura argentina, censurado pelo Facebook | Foto: Julieta Colomer

O machismo em Hollywood, no futebol e no Facebook em “Nunca en Domingo” 68

Postado em 20/10/2017, 10:16

Esta semana, o mundo cinematográfico foi sacudido pelas repercussões das  denúncias de assédio sexual contra o produtor estadunidense Harvey Westein.  Depois da primeira revelação da atriz Ashley Judd, as denúncias pipocaram e o produtor foi acusado de violar três mulheres e de abusar de mais de uma dezena nas últimas duas décadas. A reação de atrizes e atores e a campanha #MeToo #EuTambém são temas da 68ª edição do informativo feminista Nunca En Domingo.

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O mais recente episódio machista público protagonizado pela seleção de futebol da Argentina, que procurou atacar jornalistas com ofensas de gênero, teve pouca repercussão no Brasil e também é tratado no programa. “Não importa o que digam os putos jornalistas, a puta que os pariu”, diz trecho da cantiga entoada pelos jogadores em comemoração após a vitória contra o Equador que garantiu a sua participação na próxima Copa do Mundo. A rede latinoamericana de jornalistas por justiça Cosecha Roja reagiu em carta aberta dirigia ao craque Leonel Messi. “Quando uma pessoa como você diz ‘puto’, alimenta o machismo social que nos mata. Indica que somos o problema quando sabemos bem que o problema começa com os homens e seu patriarcado”.

E ainda o protesto da ativista Raquel Robles durante julgamento de crimes da ditadura  argentina e a censura do Facebook às suas fotos, nua da cintura para cima, com frases como “Onde está minha mãe?” e “Onde está meu pai?” escritas pelo corpo. O gesto de Raquel Robles, filha dos desaparecidos, ocorreu no momento do depoimento do agente repressor Miguel Etchecolatz. Imagens publicadas foram excluídas pelo Facebook. “Um corpo que é um testemunho da vida. Um corpo que era feito de outros corpos e que não sabemos onde estão. Um corpo corajoso, que demonstra o que somos e sentimos contra o genocídio. Esse corpo que me representa foi censurado”, escreveu na mesma rede social Ángela Urondo Rabey, filha do poeta Francisco “Paco” Urondo e Alicia Raboy, ambos também vítimas da ditadura.

A trilha sonora é o reggeaton das barcelonenses do Las Squirt e das mexicanas de Ley de Barrio Venimos pa’ quedarnos

Nunca en domingo é produzido semanalmente pelo coletivo uruguaio Cotidiano Mujer e apresentado pelas ativistas Helena Suarez e Elena Fonseca no idioma espanhol. Além do portal de mídia independente Catarinas, organizações de outros países latinoamericanas retransmitem o programa.

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