Foto com trabalho artístico de Chris Mayer

Mayara Amaral presente no palco do Fazendo Gênero e Mundos de Mulheres

Postado em 02/08/2017, 11:20

A essência dos cânticos populares em ciranda, choro e ritmos de matriz africana deu base ao repertório do coletivo de instrumentistas e cantoras “Odara”, criado especialmente para o Seminário Fazendo Gênero e Mundos de Mulheres. Durante o espetáculo, que abriu a primeira conferência do evento, elas dedicaram um minuto de silêncio para todas as mulheres assassinadas por crimes de ódio. “Mayara presente!”, o grito do público ecoou pelo auditório lotado, no Centro de Eventos da UFSC. Além de Mayara Amaral, assassinada brutalmente em Campo Grande, estavam presentes também Cláudia Silva Ferreira, assassinada pela polícia militar do Rio de Janeiro, Dandara dos Santos, espancada e morta a tiros em Fortaleza, e outras tantas vítimas de violência. “Nos emocionamos muito durante os ensaios. Com certeza, a Mayara estava presente”, diz a cantora Jana Gularte.

Foto: Chris Mayer

As artistas levaram para o palco músicas e poesias inspiradas por vivências e reflexões sobre a condição das mulheres na sociedade. Dandara Manoela, que também integra o bloco de percussão e dança Cores de Aidê, cantou obras autorais como “Mulher de luta”, que aborda temas como a violência doméstica, a exclusão social de mulheres negras e a criminalização do aborto.

“Ah quando essas Marias todas se ajuntar/ sapatão, trans, viadas, pretas, brancas, vermelhas, amarelas e todas outras coloridas da mesma classe/punhos erguidos/pedras e sonhos nas mãos/seremos todas Marias da Revolução”, diz trecho de Maria de Luta.

“Nas composições apresentadas tive espaço pra poder falar de mim e sentir que estou falando de tantas. Dividir o palco com mulheres criadoras, instrumentistas e cantoras é muito forte. Pensar letras pra um show como esse, foi muito significativo, um desabafo em canto, onde pude me sentir acolhida e abraçada pelas minhas companheiras e por todas na plateia. Senti esses abraços através dos olhares. Eu, como mulher negra, cantora e compositora, que vivo pela arte, como instrumento político e luto pra viver de arte como alimento também físico, me senti preenchida ao ouvir palmas incansáveis. No ressoar das palmas, ouvi ‘avante, você tá no caminho’. Voltei pra casa mais forte e sinto que todas nós voltamos”, revelou Dandara.

“Achei interessante que as apresentações não foram folclorizadas, representaram de fato organizações consolidadas de mulheres que puderam mostrar um pouco mais que uma música. Odara fez um show com várias obras, apresentando uma mistura de diferentes ritmos e artes”, afirmou a espectadora Ana Paula Antunes Martins, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas e Estudos sobre as Mulheres da Universidade de Brasília (UNB).

Para a compositora Iara Germer, o evento foi uma oportunidade de apresentar músicas criadas por mulheres catarinenses e de situar a arte também nesse lugar de reflexão sobre as diversas mulheres e as questões de gênero, “imprescindíveis na busca de uma sociedade mais justa”. “Fazer arte é poder traduzir histórias,  expressar emoções, e para o palco do Fazendo Gênero trouxemos, de forma poética, músicas que retratam a opressão contra a mulher, mas também falamos de amor, de força, de reação, de nossas matrizes africanas, enfim levamos um pouco do que nos vai na alma. E nossa alma ficou ficou extasiada com a receptividade da plateia. Tudo se completou num entendimento que só mesmo a arte é capaz de promover”, avaliou a cantora.

Com direção da cantora e compositora Tatiana Cobbett, o espetáculo contou ainda com a participação das artistas Addia Furtado, Cristiane Fernandes, Chaeene Mariano, Natália Livramento, Larissa Galvão, Dandara Manoela, Camila Duraes e Ubrother. “O processo foi fantástico. Houve muita entrega e confiança destes artistas na minha pegada, a certeza de que estou junto e o que rendeu nos levará a crescer e fortalecer esse coletivo pautado pela sororidade”, disse a diretora que acompanhou o show de Portugal.

Foto: Chris Mayer

O Fazendo Gênero e Mundos de Mulheres segue com várias atrações artísticas. O encerramento acontece no dia 4, na Casa de Noca, com o show Cores de Aidê, PAZ, Transvyadaji, a partir das 22h.

Acompanhe no caderno de programação e aplicativo.

Atrações:
Canções colhidas e recolhidas por mulheres – Giracoro
Autor: Ananda Eluf Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017  Local: Palco Tenda Mundos de Mulheres, UFSC

Carcará: não vai morrer de fome
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Local: Auditório Guarapuvu, Centro de Cultura e Eventos, 1º andar

Chá Preto
Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017
Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Cores de Aidê
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Local: Marcha ao Centro de Florianópolis, com saída da Tenda Mundos de Mulheres, na UFSC

Filho de Oxum
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Fora da Caixa: Selma Light
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Auditório Prof. Dr. Paulo Fernando de Araujo Lago, CFH, Bloco B, Térreo

Guerra Substantivo Feminino
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Local:  Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

La Clínica
Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017
Local: Auditório Guarapuvu
Centro de Cultura e Eventos, 1º andar

Lendo e Fazendo Gênero
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Local: Auditório Reitoria, Reitoria I, Térreo

Linn da Quebrada no Fazendo Gênero
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017
Local: Auditório Guarapuvu, Centro de Cultura e Eventos, 1º andar

Muher em luta, mulher em guerra
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Orquestra do PIBID Música UDESC
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Anfiteatro – EFI, Bloco único, 1º andar

Pedacinho de Mulambo
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Saguão do Centro de Cultura e Eventos, UFSC

Pedaços de Carne
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Preta-à-Porter
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Palco Tenda Mundos de Mulheres, UFSC

Roda de Capoeira Angola
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017
Local: Saguão do Centro de Cultura e Eventos, UFSC

Serenata de Amor
Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017
Local: Auditório Reitoria, Reitoria I, Térreo

Tapete Manifesto
Data: Quinta-feira, 03 de agosto de 2017  Local: Palco Tenda Mundos de Mulheres, UFSC

Trama Feminina
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017  Local: Palco Tenda Mundos de Mulheres, UFSC

Transgressão Autor: VICTOR VIHEN (UFMA)
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017  Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Vem, Cristiane!
Data: Quarta-feira, 02 de agosto de 2017  Local: Palco Tenda Mundos de Mulheres, UFSC

Vera Pequeno em o Atlântico levado atiçou minha beleza
Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017  Local: Anfiteatro – EFI, Bloco único, 1º andar

Yabadé
Data: Sexta-feira, 04 de agosto de 2017
Local: Caixa Preta, Departamento de Artes, CCE, Bloco D, térreo

Atualizada 2 de agosto, às 23h20.