Foto: Chris Mayer

Maior encontro feminista da América Latina recebe mulheres com arte e cultura em Montevidéu

Postado em 24/11/2017, 11:50

Feministas uruguaias apostam no resgate da memória feminista e na arte para receber as participantes do 14º Eflac que acontece em Montevidéu, entre os dias 23 e 25 de novembro

Há 31 anos, o primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe (Eflac) acontecia em Bogotá, na Colômbia, sob o lema “Llegaron las feministas”. É o que compartilha uma exposição de temas e sedes do Eflac, instalada na arena montada na “Rural del Prado”, centro de eventos da capital uruguaia que recebe cerca de 2.000 mulheres, vindas de todos os países da América Latina e de algumas nacionalidades caribenhas, como o Haiti e a República Dominicana. À 14ª edição do encontro também se somaram delegações da França, Espanha e dos Estados Unidos.

::Montevidéu sedia o 14º Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe

De Bogotá a Montevidéu, o movimento feminista do continente passou pelos processos de redemocratização pós as ditaduras militares, viveu o neoliberalismo dos anos 90 e agora aposta na pluralidade das perspectivas feministas para encontrar unidade de resistência. Diante de um cenário de recrudescimento político e econômico em que se encontram diversos países latinoamericanos, o Uruguai, que enfrentou temas polêmicos como a legalização do aborto, sedia pela primeira vez o principal encontro feminista das Américas.

O primeiro dia do Eflac, 23, foi marcado pelas intervenções artísticas. A abertura das atividades do dia foi conduzida pela atriz uruguaia Emilia Diaz que constituiu em conjunto com outras atrizes cenas do ativismo feminista e contestações ao patriarcado. Na sequência, uma homenagem à militante uruguaia Elvira Lutz reforça a história feminista. “Tenemos que sumar, unir las mujeres para cambiar atitudes, ideas e valores. Deseo un productivo encontro, muchos abrazos e mucho amor”, disse Elvira no discurso de agradecimento.

Ativista uruguaia homenageada no #14Eflac, Elvira Lutz e Emília Diaz | Foto: Dieine Gomez

As noites têm sido de encontros e atividades culturais. Na quinta, no monumental Teatro Solís, as feministas puderam assistir a espetáculos de dança e teatro. Poesia e música também mobilizaram as mulheres do Eflac a encontrarem-se na Plaza del Entrevero.

Ao longo das manhãs dos dias 23 e 24, 10 eixos de debates que orientam a articulação dos movimentos reunidos em Montevidéu foram discutidos em assembleias. As discussões têm por objetivo construir estratégias conjuntas que possam fortalecer a causa feminista. Na segunda parte do dia, uma série de atividades autogestionadas ampliaram as perspectivas apontadas pelos eixos das assembleias (confira a programaçao completa do Eflac aqui). “Acredito que tudo funcionou dentro do programado, com espaços coletivos de oponências”, diz Lilián Celiberti, integrante da comissão organizadora do encontro.

Catarinas participa de oficina sobre comunicação e aborto
Ao lado do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) e do grupo Curumim, Catarinas organizou e coordenou a oficina “Aborto e Estratégias de Comunicação – compartilhando resistências”, na quinta (23) à tarde. A oficina compartilhou experiências inovadoras de resistência no campo da mídia e comunicação com foco na questão do aborto legal, seguro e gratuito. Integraram o encontro as iniciativas brasileiras Robô Beta, a #ViradaFeministaOnline, Neuromarketing em campanhas de informação, a argentina Socorristas em Rede (Ruth Revuelta), e a atividade chilena de preparação de porta-vozes e incidência política. “A oficina foi muito valiosa pela troca de experiências de comunicação entre países da América Latina como Brasil, Argentina e Chile. Também buscou apontar caminhos para fazer uma comunicação que atinja um número maior de pessoas, mas com desobediência na forma e no conteúdo”, destaca Paula Guimarães, do Portal Catarinas.

Portal Catarinas no #14Eflac #SomosMuitas

::Leia também: Tudo sobre o mais importante encontro feminista da América Latina::

O 14º Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe encerra no sábado (25), com uma plenária final que terá início pela manhã. À tarde, as participantes preparam uma marcha e despedem-se com uma festa no Museu do Carnaval.

“Dos marchas, un acto”
Ponto alto do Eflac, duas marchas estão programada para o dia 25 de novembro, em alusão à data que corresponde ao Dia de Luta Contra a Violência às Mulheres. “Dos marchas, un acto: diversas, pero no dispersas” reunirá as participantes do encontro, que partirão em caminhada da explanada da Universidade, enquanto as “Mujeres de Negro” partem da “Plaza Independencia”, ambas a partir das 17h. As marchas se unirão na avenida 18 de Julio com a rua Ejido, onde haverá a leitura de uma mensagem de Minou Tavarez Mirabal, filha e sobrinha das irmãs dominicanas assassinadas em 25 de novembro de 1960, fato que motivou a criação do Dia de Luta Contra a Violência às Mulheres.

Sobre o Eflac
O primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe aconteceu em Bogotá, na Colômbia, no dia 25 de novembro de 1981. As feministas presentes declararam a data como o Dia Internacional de Lutra contra a Violência às Mulheres em honra as irmãs Mirabal, torturadas e assassinada nesta data, no ano de 1960, pela ditadura do General Trujillo, na República Dominicana. Em 2017, nas “Dos marchas, un acto”que ocorre no sábado (25), Minou Mirabal, filha e sobrinhas das irmãs MIraabal lerá uma mensagem.

Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe (Eflac)
Onde: Rural del Prado – Montevidéu/Uruguai
Quando: 23, 24 e 25 de novembro de 2017

Tags: , , ,