A desocupação começou antes das 6 horas da manhã e envolveu um efetivo de 200 policiais militares, da cavalaria,tropa de choque e tático | Foto: Juliana Adriano

Famílias do acampamento Marcelino Chiarello sofrem despejo

Postado em 29/11/2017, 21:33

Logo que amanheceu o dia, nesta quarta 29 de novembro, um aparato com 200 policiais da tropa de choque, helicópteros e dezenas de viaturas foram até o acampamento Marcelino Chiarello do Movimento dos Sem Terra – MST, localizado no oeste do estado em Xanxerê e com ordem judicial despejaram cerca de 180 famílias.

Mesmo com audiência de conciliação agendada para dia 6 de dezembro, a juíza federal de Chapecó concedeu liminar para despejo das famílias. As famílias que estão na terra há cerca de um ano e meio, já fizeram o plantio de alimentos para sua subsistência, como milho, feijão, hortaliças, e também a criação de animais.

As famílias foram abrigadas provisoriamente no Ginásio Municipal de Faxinal dos Guedes Foto: Juliana Adriano / MST-SC

A área ocupada tem 1.000 hectares e de acordo com o MST, é de propriedade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, fruto de uma desapropriação de dívidas com a união, o terreno já foi destinado em 1983 para a reforma agrária, porém estava sob posse da empresa Sementes Prezzotto.

A origem do acampamento Marcelino Chiarello aconteceu em Chapecó na Floresta Nacional, ocupada dia 4 de junho de 2016 e abriu o debate sobre a plantação de pinus americano em terreno que era para ser destinado a preservação da mata nativa. Depois de diversas negociações e remoções, as famílias se instalaram em Xanxerê. Com a ordem de despejo feita nessa manhã, as pessoas estão sendo conduzidas para o Ginásio de Esportes da cidade de Faxinal dos Guedes.

A desocupação do acampamento acontece um dia depois do aniversário de morte do vereador Marcelino Chiarello, que dá nome ao acampamento. Marcelino era vereador de Chapecó e foi encontrado morto em sua casa em 2011. A morte foi diagnosticada pela justiça como suicídio, porém amigos e lideranças da região questionam até hoje a falta de investigação apurada sobre o caso. Marcelino, professor estadual, se preparava para fazer uma denúncia de corrupção que envolvia grandes empresários e políticos do oeste catarinense.

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