As artistas são as atrações da noite de lançamento da comunidade Catarinas/Foto: divulgação

Clara Baccarin e Renata Swoboda em um encontro entre a poesia e a música

Postado em 08/11/2016, 16:49

Uma melodia pronta há anos, à espera de uma letra. Uma poesia solta no ar com todo potencial para virar música. Foi no encontro dessas cenas que a cantora Renata Swoboda e a escritora Clara Baccarin se cruzaram para a parceria artística que deu origem a “Uma música para qualquer lugar”. “Foi amor à primeira poesia”, conta Renata sobre o contato com o trabalho de Clara por indicação de uma amiga. A escritora e a cantora são as atrações da noite de lançamento da comunidade Catarinas, em 10 novembro, próxima quinta-feira, às 19h, no Tralharia, em Florianópolis. Clara lança o livro ‘Instruções para Lavar a Alma’ e Renata canta suas músicas autorais, entre elas a obra conjunta.

Clara, que mora em São Paulo, vem à Florianópolis especialmente para o evento. Será a primeira vez que as duas vão se encontrar pessoalmente, mas o encontro de almas ocorreu antes, há cerca de um ano. Depois de um período longo sem inspiração para compor, a cantora resgatou sua habilidade de criar ao ler poemas de Clara. “Pensei ‘era isso que estava faltando’. O trabalho dela me ativou e passei a ver poesia em tudo novamente”, revela Renata.

As duas trocaram poesias e músicas, até que certo dia Clara publicou a letra “Uma música para qualquer lugar” numa rede social. Na mesma noite, Renata pegou seu violão e tentou encaixar a poesia na melodia guardada. “Não precisei trocar palavras ou fazer qualquer outra adaptação. Clara foi minha heroína catártica. Tenho um carinho por ela, por esse encontro”, diz.

Uma música para qualquer lugar
Querer você – é também silenciar
Me aproximar – é também me afastar
Ficar dentro – desse amor
é uma delicadeza
 te deixo viver
E respirar
te vejo seguir
Para qualquer lugar
Amar você – é não querer saber
É ficar – te esperando sem contar
Sem pensar -sem saber
é plantar a semente e depois esquecer
te deixo viver
E respirar
te vejo seguir
Para qualquer lugar
Não te espero aqui – te espero acordar
Porque eu quero ser – a verdade do teu olhar
Ou então prefiro Ser apenas nada

A escritora ficou surpresa com o envio da música por Renata já no dia seguinte à postagem. “Foi impressionante”, conta Clara que já teve outros poemas musicados e diz que às vezes brinca de escrever letras de música. Segundo ela, que não toca nenhum instrumento musical, compor letra de música é diferente de pensar somente o texto poético. Alguns de seus poemas, porém, não foram pensados para esse fim, mas nas mãos de um compositor se transformam em música.  “Uma letra de música é um trabalho diferente de um poema, eu tento seguir ritmo, métrica e cadência, um poema é mais solto e prolixo. Quase nunca penso na melodia quando escrevo uma letra de música. Mas, sinto o ritmo dos versos”, explica.

A vocação para o jogo com as palavras chegou muito cedo. “Às vezes brinco que descobri antes de ser alfabetizada. Quando criança escrevia poemas e peças de teatro para apresentar na escola, na adolescência escrevia diários e poemas”, relembra.

Clara viajou o mundo e nasceu com a inquietude da poesia nas veias. Formada em Letras (Unesp) e mestre em Estudos Literários (Unesp), publicou dois livros e prepara-se para o lançamento do próximo. Escritora assídua nas Redes Sociais, é colunista de diversos blogs sobre literatura, arte e cotidiano, com crônicas que seguem um estilo livre, despojado e poético. Parte de suas letras vão se transformar em um CD que deve ser lançado no próximo ano. Foram melodiadas pelo músico Paulo Filipe Moreau e gravadas pela cantora Luciana Barros, ambos de São Paulo.

claralivro

Instruções para Lavar a Alma
Uma antologia de poemas nômades é o que o leitor encontra nas 130 páginas de literatura sutil e contundente da autora. Em comum com seu livro de estreia, o romance-poético ‘Castelos Tropicais’, em ‘Instruções para Lavar a Alma’ a poeta com um olhar doce e rebelde, feminino e livre toca no humano de cada um. Através de uma linguagem propositalmente simples, porém intensa, convida o leitor a despir-se das armaduras e às vezes até da própria pele para reconectar-se com uma existência que está aquém da língua. É o que ilustra o  ‘Terra de refugiados’:

Refugia-se no coração,
Que o amor não conhece fronteiras.
Migra para a terra do sentir,
Que ela sabe acolher
Com mais humanidade.
Mora num poema,
Que ele tem raízes
Em si mesmo
E fala todas as línguas.

Serviço
O que: lançamento Comunidade Catarinas e livro de Clara Baccarin
Quando: 10 de novembro, às 19h
Onde: Tralharia
Quanto: gratuito

 

 

 

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