Caso de “estupro corretivo” contra lésbica segue sem suspeitos

Postado em 12/08/2016, 9:02

caso de estupro com motivação de ódio contra uma lésbica, em Laguna, na madrugada de 10 de julho segue sem solução. A vítima de 29 anos foi atacada por cinco homens quando caminhava sozinha na avenida Magalhães após retornar de um show.  Ela e a namorada reclamam da morosidade na identificação dos agressores pela polícia, que alega falta de estrutura. Apenas nos oito primeiros meses de 2016, Laguna já teve mais casos de estupro do que no ano passado.

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À polícia, a jovem contou que foi agredida com socos, pontapés e que os homens jogaram uma lata de cerveja em seu rosto. Durante os atos de violência, a vítima ouviu ofensas lesbofóbicas. “O estuprador disse ‘vamos ver se ela tem pênis’, enquanto introduzia a mão na vagina da vítima e os outros a seguravam”, conta o delegado da Polícia Civil de Laguna, Flávio Costa Gorla.

De acordo com o delegado, o inquérito foi enviado ao Ministério Público, porém sem “indícios suficientes de autoria”.  Gorla afirma que não foi possível identificar os criminosos pelas câmeras de segurança, pois o serviço de vigilância não estava em funcionamento por falta de renovação do contrato com a empresa prestadora do serviço. As únicas câmeras em funcionamento nas proximidades seriam residenciais, que tem a captação de imagens limitada às calçadas.

Ele alega que a polícia não conseguiu nem mesmo elaborar o retrato falado dos suspeitos, já que a vítima não consegue lembrar-se das suas características, e que o laudo inicial não apontou conjunção carnal ou lesão. Uma análise mais completa da coleta de vestígios ainda não foi concluída. O resultado será enviado ao Ministério Público para complementar o inquérito. O relatório psicológico também foi inconclusivo, de acordo com o delegado.

Em seis anos na delegacia, ele relata que é a primeira vez que uma vítima afirma ter sofrido crime de ódio relacionado à homofobia (ou lesbofobia), em Laguna, e que falta capacitação dos policiais para atender estes casos. “A gente observa que existiu homofobia. Existiu uma violência contra a mulher, acredito até que seja homofóbica”, afirma.

Crimes motivados por discriminação de gênero ainda são tabus.“Se alguém chega aqui e diz ‘fui agredido porque sou homossexual’, o plantonista vai dar risada”, diz o delegado.

Para a namorada e a vítima, faltou dedicação na apuração do caso. “A polícia só fez diligências nas câmeras porque nós pedimos. Não temos dinheiro para mandar uma perícia por conta própria”, afirma a namorada. Ela e a vítima estão em busca de uma advogada para atuar no caso e evitar que seja arquivado.  “O crime mudou nossa vida completamente e a polícia parece que não está nem aí”, afirma a namorada.

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